quarta-feira, 15 de novembro de 2017

PORTUGAL SEM RUMO


          Ao contrário do que possa parecer as coisas em Portugal não vão assim tão bem como alguns apregoam. O crescimento económico débil (é menor do que a média europeia) afasta-nos da Europa civilizada (que é como quem diz do desenvolvimento consistente) e deve-se sobretudo ao incremento das exportações fruto da acção dos capitalistas nacionais e internacionais que investiram em Portugal (menos levados por patriotismos bacocos e mais por razões de ordem securitária e laboral) do que a qualquer planeamento consistente e eficaz desenhado pelo governo em funções.  Efectivamente, o governo da geringonça (feliz designação com que algum palhaço se lembrou de classificar esta incongruencia politica inventada pelo malandro ambicioso que nos governa) o que tem feito é destruir o rumo a que a troika nos sujeitou para suster o descalabro para onde o ladrão do Sócrates  conduziu o país. Passos Coelho foi apenas o meio disponivel para a troika aplicar a sua receita salvadora (e que infelizmente mesmo assim pouco fez para ajudar neste processo). Tivesse o governo anterior tido mais coragem e determinação nas reformas feitas e nas que deixou por fazer, não teria havido qualquer hesitação do eleitorado em erradicar por muitos e bons anos esta corja socialista dos corredores do poder.
          Portugal tem estado sujeito desde há mais de 40 anos a uma ditadura do proletariado que impede a normal e desejada integração do país no seio do mundo civilizado e desenvolvido que a UE encarna. Desde o PREC (a que o PCP e seus apaniguados nos sujeitaram) que os sucessivos governos portugueses têm empurrado o povo ignorante e crédulo no sentido dum socialismo de alpergata com o enganoso pretexto da prossecução do Estado social, último degrau da etérea felicidade na terra. Não existe em Portugal (como noutros países da nossa esfera de acção) um verdadeiro partido de direita (e muito menos de extrema-direita) defensor da diferença e da verdadeira liberdade de acção que distingue os bons dos maus, os trabalhadores dos perguiçosos, os sérios dos malandros, os melhores dos piores, os inteligentes dos estupidos e os bem intencionados dos mal intencionados. Reger toda a gente pela mesma bitola, como se a igualdade dos direitos e dos deveres fosse um principio sagrado cuja interpretação constituisse um sacrilégio indigno, leva a que o nivel social dos portugueses caia cada vez mais baixo, em vez de subir com o normal desenvolvimento das pessoas.
          A governação dos países ditos civilizados assenta no liberalismo económico e na socialização das tarefas que, apenas sendo do interesse comum, devem caber ao Estado. Os partidos devem distinguir-se ideologicamente entre os que defendem uma maior ou menor intervenção do Estado na vida das pessoas. Estado forte, menos liberdade de acção dos particulares e menor desenvolvimento, à esquerda;  Estado exíguo, mais liberdade de acção individual e maior desenvolvimento, à direita.
          Porém, em Portugal as coisas não são assim. Todos os partidos são de esquerda. Desde os abertos defensores da ditadura do proletariado (os da extrema esquerda e da televisão) até aos ditos do centro (coisa que não existe) defendem o Estado social, inquisidor, regulador, manipulador, espoliador. O partido socialista é liberal nos costumes e social na economia. Dá para os dois lados.
E então o da geringonça é abertamente liberal nos costumes (para agradar aos bloquistas) e declaradamente social na economia (para agradar aos comunistas). É um governo sem norte, sem ideias, confuso, espoliador e cerceador da liberdade de empreender. Senão vejamos.
         Na Educação, defende os professores contra os alunos, a facilitação programática contra o rigor cientifico, a escola publica (a de todos) contra a escola privada (a das elites); no Trabalho, defende o trabalho fixo (privilegia os trabalhadores em detrimento do trabalho) em vez do trabalho flexivel (dá primazia ao trabalho em vez de olhar só para os direitos dos trabalhadores) e preocupa-se mais com os salários minimos e com os contratos colectivos de trabalho em vez de privilegiar a produtividade das empresas; na Saude, defende o SNS facilitando o acesso indiscriminado aos meios de diagnóstico e o acesso às urgencias (sem atender ao aumento incontrolável da despesa publica) contra a saudável concorrencia entre o sector publico (para quem não possa pagar exorbitancias) e o sector privado (para quem queira e possa suportar os luxos); na Segurança social, fixa as reformas, cria os subsidios estatais e o acesso aos beneficios sociais gratuitos sem atender, quer às necessidades das pessoas , quer às disponibilidades do Estado, em vez de programar criteriosamente em função das suas posses e das necessidades dos beneficiários; na Fiscalidade, preocupa-se mais em encontrar esquemas de subtracção de lucros do que no equilibrio entre impostos directos e indiretos, bem como na fixação de grelhas fiscais justas e equilibradas para os diversos graus de contribuintes (é o célebre slogan comunista a funcionar:"Os ricos que paguem a crise").
          Enquanto não acabar este governo espúrio e sem norte, apenas interessado em si próprio e nas benesses que proporciona aos seus boys and girls (agora já mais girls do que boys) não conseguiremos sair da cêpa torta, nem nunca mais progrediremos neste mundo confuso e dificil. Valha-nos a UE e as suas troikas que continuam à espreita para ver se os disparates destes palhaços não os obrigam a cá voltar.

                  ALBINO  ZEFERINO                                                                        15/11/2017

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

ASSIM VAI O MUNDO


          Cheio de tensões e de contradições, o nosso mundo - aquele que conhecemos hoje - lá vai andando ameaçado por trágicas premunições de confrontações avassaladoras mas ainda não definitivas ou fatais para a humanidade. É o Trump e a implicação norte-coreana, é o hipotético regresso de Lula pela incapacidade brasileira de gerar alternativas crediveis, são as sucessivas tentativas nacionalistas de desmantelar a precária Europa que há mais de 60 anos procura uma unidade impossivel, é a imparável afirmação chinesa na crista duma globalização avassaladora, é o Estado islâmico destruidor de civilizações milenares, é a pobre África cada vez mais pobre e mais explorada, são as ameaças ambientalistas do aquecimento global do planeta, é a riqueza mal distribuida e o aumento da miséria e da pobreza, enfim, é o avanço duma civilização preclitante e de contornos indefinidos e contraditórios que baralha as mentes dos homens e cria expectativas de desenvolvimento por vezes ilusórias e enganadoras.  Será o nosso próximo futuro o principio do fim da civilização que conhecemos ou, pelo contrário, a chegada ao mundo glorioso da felicidade suprema?  Eu diria que dependerá da perspectiva em que nos coloquemos e dos olhos através dos quais observemos esse futuro incerto por natureza. Certamente não será nem uma coisa nem outra.

          Faz este ano cem anos que nasceu o comunismo como experiencia politica no mundo. A par do nascimento de Cristo e da Revolução francesa, o comunismo foi o terceiro movimento social determinante para o futuro da Humanidade como hoje a conhecemos.  Com Cristo aprendemos a amar-nos uns aos outros, com a Revolução francesa veio a consciencialização da igualdade entre os homens e com o comunismo nasceu o conceito do poder das massas. Só que a simplificação conceptual que tal análise encerra não é tão linear como parece.  É certo que os tres grandes movimentos sociais estão ligados entre si, pois sem a generalização do Cristianismo não teria havido a Revolução francesa e sem as consequencias desta Lenine não teria conseguido implantar o comunismo na Russia dos czares. Mas tambem é certo que, durante os dois mil anos que decorreram entretanto, muitos outros movimenos sociais se sucederam, todos eles importantes para a formação ideológica do homem e todos eles fonte e origem do poder politico que vigora hoje nas sociedades civilizadas. O humanismo de Thomas More, a lógica de Rousseau e a dialética de Hegel por exemplo, trouxeram fortes contributos à formação do pensamento politico que hoje vigora entre as sociedades democráticas. 

          Ao contrário do comunismo, porém - que caiu estrondosamente com a Perestroika - os fundamentos do Cristianismo e os principios norteadores da Revolução francesa de 1789, estão fortemente presentes nos espiritos e nas almas dos homens de hoje. Não há doutrina politica que não se baseie quer numa quer noutra destas correntes de pensamento e até a dialética hegeliana não desapareceu das construcções filosóficas de algumas dessas correntes de pensamento. Se tomarmos a dialética por exemplo para explicar a evolução do mundo desde o nascimento de Cristo, podemos partir do principio que o império romano foi a tese, as invasões bárbaras a antitese e a criação dos Estados independentes daí decorrentes foi a sintese deste processo. A nova tese, a criação dos Esatdos independentes, daria origem à criação do novo império carolingio que seria a sua antitese, cuja sintese teria sido o desmembramento desse império e assim sucessivamente até ao império austro-hungaro que como tese teve a sua antitese na primeira GGuerra e a sua sintese no tratado de Versalhes que se transformaria por sua vez em tese cuja antitese teria sido a 2ª GGuerra e cuja sintese foi a guerra fria. Esta como tese teria tido a Perestroika como antitese e cuja sintese seria o actual estado de coisas, que transformado em tese tem a globalização como sintese. Transformada esta em tese tem os nacionalismos e a invasão muçulmana da UE como antitese. A sintese ainda está para vir mas não será impossivel de adivinhar: o desmembramento da UE como projecto politico virtuoso que trouxe ao continente destroçado 60 anos de paz e de prosperidade.  Esperemos que assim não seja.

                         ALBINO  ZEFERINO                                                                8/11/2017

sábado, 28 de outubro de 2017

AS CATIVAÇÕES ORÇAMENTAIS


          Há quem se admire do "milagre" económico que Costa y sus muchachos têm conseguido realizar desde que há dois anos tomaram conta do poder.  Não tendo certamente sido pela "colaboração" frentista que Costa arranjou, que só tem provocado entorses aos esforços financeiros de Centeno, para adequar o aumento da despesa à contenção financeira imposta pelo tratado orçamental, através do aumento das contrapartidas sociais que (à laia de compensação pelo apoio parlamentar ao PS) os esquerdistas da frente popular exigem ao manhoso PM.  Só um programa feroz e articulado de cativações arquitectado por Centeno tem permitido fazer chover no nabal enquanto na eira brilha o sol reparador.
          Como consegue então o homem este "milagre" que escapou a Maria Luis e ao seu mentor Passos Coelho? Primeiro negoceia com os colegas da frente popular as suas (deles) exigencias politicas; depois faz as contas de quanto precisa reduzir a despesa do Estado; depois faz o plano de cativações necessário para adequar a despesa à receita de forma a que a percentagem do défice não suba (até tem descido). Ou seja, impóe a austeridade ao Estado sem a frontalidade que PPCoelho exibiu.
          Em resultado desta politica "milagrosa" a consequencia tem sido a deteriorização dos serviços publicos e o aumento imparável da divida publica que (à sombra da "recuperação" formal das finanças do Estado) o PM e o seu ministro das Finaças têm conseguido acumular. Ao cabo de dois anos duma politica enganosa, os resultados desse engano começam a mostrar-se visiveis: são os enfermeiros e os medicos a exigirem o pagamento das horas extraordinárias (só elas um verdadeiro salário), são os professores excedentários a querer passar a definitivos, são as carreiras publicas a querer que se desbloqueiem as promoções, são os roubos em Tancos e os incendios em Pedrógão e noutros sitios, é a pouca vergonha dos contratos publicos sem concurso, etc.etc.  Agora as pessoas descobrem que afinal ninguem é milagreiro, nem mais esperto que os demais.  Marcelo (como sempre mais atento) já descobriu isso há muito tempo, mas só agora com o escandalo dos fogos se viu forçado a "apertar" com um governo que lhe convinha que perdurasse. Mas enquanto Rio não assumir o comando do PSD,  Marcelo não ataca Costa.  Limita-se a demarcar-se dele. Talvez a coisa aguente até ao fim da legislatura, pensará ele.  Eu porém não creio. Rio está ansioso por medir forças com Costa e agora que o chamuça está por baixo é que convem apertar com ele. Vamos lá a ver como o homem se sai com a reconstrucção do país depois dos fogos.  E tambem como ele reagirá à onda de greves que estalou de repente e que deixou de justificar a paz social que a geringonça proporcionava. Cá por mim teremos eleições antecipadas para o ano que vem.

                 ALBINO  ZEFERINO                                                                    28/10/2017

domingo, 22 de outubro de 2017

A DECLARAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA


          Conforme se esperava, o presidente da Generalitat da Catalunha proferiu a polémica declaração que lançou a vizinha Espanha na maior crise politico-constitucional das ultimas décadas. Apesar de pífia, a declaração não deixou de constituir o zénite dum processo iniciado há 40 anos, após a morte de Franco, e que serviu precisamente para enquadrar as reivindicações independentistas catalãs reprimidas desde o fim da guerra civil espanhola. Sem a Catalunha não teria nascido a Espanha autonómica e não teria sido possivel que a Peninsula Ibérica vivesse harmonica e pacificamente desde o final da 2º grande guerra, como aconteceu. Diria mesmo que a entrada de Portugal e de Espanha na CEE, em 1986, não se teria produzido com a mesma naturalidade e simplicidade se não tivesse sido implantado em Espanha o regime autonómico, no seio do qual as aspirações independentistas catalãs se foram progressivamente desenvolvendo (e crescendo) ao longo dos anos.
          Chegados ao ponto a partir do qual quaisquer mais cedências autonómicas à região catalã configurariam a quebra dos já ténues laços de solidaridade nacional que unem a Catalunha às restantes autonomias espanholas (através do governo nacional de Madrid), não restava outra solução ao governo da Generalitat do que constatar isto mesmo, declarando a indepenência da região do resto da Espanha. Só que a formalização duma relação cuja dinâmica conduzia precisamente a este desiderato, provocou uma convulsão politica semelhante a uma declaração de guerra, que se antevia mas que não se desejava.  Ao declarar que o regime autonómico consagrado na constituição espanhola de 1978 já não servia à Catalunha, o governo regional catalão, pela voz do seu presidente, declarou tambem a morte do regime democrático saido do "cambio" politico e social que se seguiu ao desaparecimento do ditador e que, evitando nova guerra civil, manteve a Espanha unida por mais 40 anos.
          Consciente destas consequencias, Puigmont apressou-se a acresentar no final da sua declaração publica que a independencia da Catalunha acabada de declarar ficaria suspensa, a fim de poder ser negociada com o governo central. Santa ingenuidade! Em que armas ou bagagens se apoiaria a Catalunha para negociar de igual para igual uma independência - é certo que desejada por alguns -  mas rejeitada pela maioria dos espanhois não catalães? Nos Mossos de Esquadra? Num simulacro de referendo realizado sem garantias de liberdade e de generalidade ou de observação isenta?  Tal declaração, por muito lógica ou esperada que tivesse sido, foi ilegitima e carente de oportunidade. Para ter algum valor, teria que ser apoiada formalmente pela maioria da população catalã em referendo legitimo e previamente negociada com o resto da Espanha, de modo a garantir a perenidade do regime democrático-constitucional espanhol que assenta precisamente num sistema autonómico, posto em causa pela declaração unilateral ilegitima da independencia duma das suas 17 autonomias. Por isso digo, e repito, que essa declaração unilateral de independência, além de ilegitima é contrária à democracia. A democracia espanhola não foi - como a portuguesa - resultado de um golpe de Estado que derrubou o governo e se instalou no poder pela força das armas. Resultou de negociações longas e trabalhosas, perturbadas constantemente por forças de extrema-esquerda e de extrema-direita que pressionaram o governo provisório de Adolfo Suarez na intenção de o desestabilizar, a fim de impedir a instauração do regime democrático na Espanha pós-franquista. A solução autonómica foi assim a forma mais expedita e inteligente de manter a Espanha unida democraticamente. Pôr a autonomia em causa é atentar contra o regime democrático. Tal como tentaram fazer há 40 anos os extremistas anti-Suarez.
          Olhemos com atenção e preocupação (como eles olharam para o nosso 25 de Abril) para o desfecho deste processo que está a ser conduzido pelo governo central com cautela e prudencia (até agora), mas nunca descartemos a possibilidade da situação descambar e acabarmos todos (nós incluidos) embrulhados uns nos outros. Afinal eles são espanhois e nós portugueses somos. E com espanhois nunca se sabe como a coisa acaba. Ou com assobios ou pela porta grande.

                    ALBINO  ZEFERINO                                                                  22/10/2017

sábado, 7 de outubro de 2017

A QUESTÃO CATALÃ


          Parece que o governo autonómico catalão se prepara para declarar unilateralmente a independência da Catalunha no seguimento do simulacro de referendo que organizou no passado fim de semana na região.  Apesar da inconstitucionalidade grosseira e da informalidade com que o referendo foi realizado, o governo catalão - embalado nas manifestações de vitória por parte da banda esquerda do espectro politico partidário regional - insiste na independência reclamada há decadas mas nunca levada tão longe como agora.  Só com o fuzilamento de Companys no final da guerra civil, em 1939, é que Franco conseguiu suster o impulso nacionalista da populaça rebelde de então, que parece ter renascido quase 80 anos depois.  Desde então, a Catalunha e as suas reivindicações autonómicas conviveram com o franquismo primeiro, e desde 1978, com a Constituição democrática espanhola saída da transición suarista e laboriosamente tecida por Torcuato Fernandez Miranda (depois feito duque com grandeza, tal como Suarez) com o seu original enquadramento constitucional autonómico.
          Só que ao fim deste tempo todo, muitas coisas ocorreram que transformaram a paisagem politica espanhola num albergue onde ninguem mais se entende, proporcionando terreno fértil ao nacionalismo catalão (mais civilizado do que outros, convenhamos, mas nem por isso menos assertivo) adormecido por anos de repressão primeiro e de anestesia constitucional depois.  A independência da Catalunha parece-me assim inevitável pese a sua ilegitimidade, quer democrática, quer constitucional -  meros "acidentes" à luz dos ideais independentistas que lhes querem retirar importancia -  face às manifestações populares gigantescas que antecederam e se seguiram ao acto referendário do passado domingo.  O discurso do jovem mas determinado rei, apoiando as teses anti-independência, serviu como pretexto para que o governo de Madrid mobilizasse primeiro a policia e agora a tropa, para suster os impulsos independentistas dum governo do centro politico mas apoiado e dominado por uma esquerda aguerrida, que não deseja negociar mais do que a entrega do poder total por parte de Madrid.
          Estamos assim, a meu ver, no prólogo dum enfrentamento ideológico interpretativo duma unidade constitucional artificialmente conseguida por esforçados constitucionalistas, que mais não quiseram do que elaborar um quadro constitucional que mantivesse unidas, pelo maior tempo possivel, as várias nações de que a Espanha é constituida. Com este simulacro de referendo, chegou-se ao fim deste periodo. A contestação aberta ao regime autonómico - que conseguiu, apesar de tudo, subsistir durante quase 40 anos, mantendo a Espanha unida como país - vai determinar negociações e trabalhos delicados e dificeis cujo resultado não é evidente e cujos riscos, num país que viveu uma longa e feroz guerra civil há pouco tempo, são óbvios e assustadores.  Tal como há 80 anos, Portugal vai sofrer as influencias desta situação. Só que agora não se trata apenas de vigiar as fronteiras para evitar os fugidos da guerra. Portugal hoje depende da Espanha economica, social, financeira e até politicamente. Não basta mandar a Guarda Republicana para a raia. Temos que evitar sofrer as consequencias do abanão que começou a atingir nuestros hermanos, senão vamos tambem na enxurrada. Como fazê-lo não sei, mas se calhar o Costa já está a tratar do assunto com a Catarina e com o Marcelo.

                        ALBINO  ZEFERINO                                                           7/10/2017
         

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

O ABSURDO


          Suponhamos por um instante o seguinte cenário: Na sequência do agitado referendo do passado domingo na Catalunha, o governo autonómico da região decidira, na sequência das suas promessas, apresentar ao governo central em Madrid, uma declaração unilateral de independência. De imediato, o governo Rajoy mandaria as tropas espanholas avançar sobre a região, que seria ocupada militarmente, declarando-se o estado de sitio em Barcelona e nas principais cidades catalãs (Tarragona, Lleida, Stiges, etc.) com o pretexto da manutenção da integralidade do território espanhol e com o apoio da maioria dos espanhois. A situação assim criada colocaria o país num impasse politico grave e inédito, desde que a democracia fora restaurada em Espanha, em 1977.
          Contra todas as expectativas que previam tomadas de decisão semelhantes noutras regiões tradicionalmente independentistas, como no País Basco e na Galiza, seria porém a Andaluzia a autonomia seguinte a proclamar tambem unilateralmente e sua independência do Estado espanhol. Baseava o governo autonómico da Andaluzia a sua declaração de independência em direitos históricos derivados da pertença do território ao antigo califado de Córdova e contava com o apoio de vários países árabes comandados pela Arábia Saudita e pelo Daesh por si financiado. Imediatamente a Andaluzia foi declarada território do Estado Islâmico e ocupada por tropas informais provenientes da Libia e dos enclaves espanhois do Marrocos (Ceuta e Melilla).  Reunido à pressa o Conselho de Seguarança da ONU para tentar dar solução a tão delicada e inesperada situação, os vetos russo e chines (cada um fundamentando-se em razões diferentes) paralizaram de imediato quaisquer tentativas europeias para a resolução rapida da situação.  Entretanto, os ferries do estreito de Gibraltar não cessavam de despejar em Algeciras e em Tarifa hordas ululantes de árabes norte-africanos que começaram imediatamente a ocupar casas vazias nas zonas turisticas andaluzas, ocupações essas que iam progressivamente aumentando à medida que os europeus nelas residentes fugiam em direcção a Madrid. O governo autonómico andaluz, que zelosamente tinha declarado a independencia unilateral, fora substutido passados escassos dias (à bruta e sem contemplações) por energumenos barbudos e de jilaba que instituiram o árabe como lingua exclusiva e obrigatória na região.  Tropas espanholas preparavam-se para invadir com tanques e aviões a Andaluzia, quando uma bomba de alta potencia explode na Moncloa, matando todo o governo espanhol e criando o caos generalizado no país.
          Enquanto a invasão da peninsula para norte se preparava, hordas ululantes de mouros cantando e gritando (alguns até disparando para o ar) ocupavam a autopista de Sevilha e em viaturas roubadas e vandalizadas dirigiam-se em alta velocidade para o Algarve, atravessando a ponte de Vila Real de Sto António e destruindo tudo e todos à sua passagem. O governo portugues, saindo da sua estupefacção inicial, dá ordens às Forças Armadas portuguesas para conterem a invasão árabe informal e tomarem conta da situação.  Aos primeiros tiros a malta larga as armas e junta-se aos primos vindos do sul, confraternizando e rindo com eles sem entender nada do que diziam, mas juntando-se à festa.
         A reconquista árabe prosseguia rapida e em força. Alguns diziam até Madrid já ter sido ocupada.

                  ALBINO  ZEFERINO                                                                   5/10/2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

A INDEPENDÊNCIA DA CATALUNHA


          Tal como em 1936 com o inicio da Guerra civil espanhola, que opôs republicanos (rojos) a nacionalistas (franquistas) e que foi o prenúncio da devastadora 2a Guerra mundial que quase destruiu a Europa de então, tambem agora a tentativa catalã de se desligar da soberania do Estado espanhol parece estar a prenunciar uma tragédia para o futuro da Europa de hoje, consubstanciada na esperançosa União de Estados conhecida por União europeia.
          De facto, o lançamento de um referendo sobre a vontade dos catalães em separar-se da Espanha autonómica criada em 1978, após o desaparecimento do franquismo vencedor da guerra de Espanha, poderá provocar, se dele sair resposta positiva, um abalo definitivo nas esperanças europeias duma forte união politica continental que evite o desmembramento a prazo dum projecto virtuoso criado já há mais de 60 anos. O governo central em Madrid e as estruturas comunitárias em Bruxelas já manifestaram a sua oposição à realização do referendo, classificando-o Madrid como inconstitucional e prevenindo Bruxelas da não aceitação da Catalunha - caso se torne independente - como membro da UE.
          O caso é assim bicudo, pois configura uma espécie de quadratura do circulo (muito própria da idiossincracia espanhola, fértil em provocar situações de ruptura).  A saida da Catalunha do Estado espanhol poderá ter um efeito em cadeia relativamente a outras autonomias igualmente ciosas da sua identidade historico-cultural, como o País Basco ou a Galiza, o que alteraria substancialmente o quadro politico ibérico e poderia romper o delicado equilibrio conseguido em 1978 pelos obreiros da transição espanhola.
          Para Portugal - ao contrário do que secretamente muito observadores desejam - não creio que tal desiderato nos traga quaisquer beneficios.  Portugal, isolado numa Ibéria desconjuntada e portanto fraca, seria pasto para muitos predadores mundiais (China, EUA, Angola, Brasil, Russia, etc.) que de pronto avançariam sobre nós como abutres sem qualquer contemplação ou pudor, ocupando sem cerimónias ou entraves o pouco que ainda resta deste belo país à beira mar plantado. E não venham bloquistas, comunistas e quejandos afirmar que não, que, sem a Espanha unida e ameaçadora aqui ao lado, Portugal poderia tornar-se numa segunda Suiça periférica mas de cariz tropical e com laivos cubanos.  Deus nos livre desta desdita e desta malta preversa que só quer o nosso mal e o da nossa terra de séculos.
          A meu ver, porém, a coisa não chegará tão longe. Já é tarde para Barcelona recuar na realização do referendo, mas a sua inconstitucionalidade óbvia não irá permitir que do seu resultado (se for positivo, como julgo) os nacionalistas catalães possam extrair qualquer resultado concreto.  Ficará a ideia de que os catalães não se conformam com a sua dependência a um Estado central (monárquico, ortodoxo e asfixiador) mas tudo ficará na mesma.  A Constituição politica espanhola foi bem blindada pelos obreiros da "transicion" e só com nova guerra civil (que ninguem deseja) será possivel alterar a estrutura autonómica do Estado espanhol.  Não é possivel fazer uma revolução por referendo.

                   ALBINO  ZEFERINO                                                                        27/9/2017
         

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

A OESTE NADA DE NOVO


          As eleições de ontem na Alemanha fazem vir ao meu espirito o famoso livro "Am West nichts neues" de Erich Maria Remarque, de 1929, onde o célebre autor alemão descreve de forma sublime os limites da natureza humana em tempos de terror e de guerra.  Efectivamente, a esmagadora vitória da direita num país tradicionalmente de esquerda como é a Alemanha, leva-nos a reflectir sobre o que se estará a passar no imaginário dum povo que foi devastado por duas grandes guerras mundiais e que conseguiu renascer das cinzas depois de ter sido praticamente apagado do mapa.  Gente aguerrida mas sem chama, os alemães são conhecidos pela determinação na prossecução dos seus propósitos, assentes no trabalho árduo do corpo e na disciplina férrea das mentes. "Mens sana in corpore sano" diziam os romanos, a quem os alemães foram buscar o "ethos".  Contudo, tal como Remarque diz no seu "A Oeste nada de novo", as eleições de ontem nada de novo trouxeram ao panorama politico alemão que não tivesse sido a confirmação do desejo dos alemães na prossecução da politica de direita da Sra. Merkel, rejeitando liminarmente a nova proposta da esquerda democrática personificada no esforçado Schultz, novo lider dos socialistas alemães.  Unica novidade, mas mesmo essa previsivel, foi a chegada ao Bundestag da nova extrema-direita alemã, já presente em 13 dos 17 parlamentos federados.
          Vitoriosa mas não contente (falta-lhe a maioria absoluta para fazer o que quer) Merkel continuará a enfrentar a crescente oposição às suas politicas de imigração, quer na Alemanha, quer fora dela.  O pesadelo dos imigrantes extra-europeus e o crescimento da população muçulmana (a maioria já nacionalizada) continuarão a ser os quebra-cabeças da Senhora Europa que obteve pela tereira vez consecutiva uma vitória em eleições democráticas nacionais.  Que a sorte lhe sorria, pois sorrindo trará alegrias à Europa, desavinda e entregue a funcionários cinzentões poliglotas. Sem Merkel ao leme a escuna europeia soçobrará pela certa.
          Nós por cá bem e contentinhos (a sair do caixote do lixo mas ainda sem banho tomado) aplaudimos (embora com a mão esquerda em riste) esperando que a nova Dama de Ferro não se esqueça de nós, malgré Schauble que ela não dispensará pela certa.
          A Oeste nada de novo portanto.

        ALBINO ZEFERINO                                                                                               25/9/2017
         

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

ESTRUTURA E CONJUNTURA : CAUSAS E CONSEQUENCIAS


          Muitos de nós - obnubilados com as bonitas frases provenientes de excitados propagandistas da nossa praça - confundem razões estruturais com circunstancias conjunturais e ainda as causas com as consequencias das coisas ou das situações que se lhes apresentam. Causas são, como se sabe, a origem de determinado facto ou situação; consequencias são o resultado ou o efeito desse facto ou dessa situação. Por vezes não é fácil fazer a correlação da causa com a consequencia de determinado facto ou situação, seja pela dificuldade que sentimos em relacionar as causas com as consequencias do mesmo facto ou da mesma situação, seja pela forma demagogica como esse facto ou essa situação nos são apresentados por inescrupulosos propagandistas que cada vez mais abundam na comunicação dita social e que deliberadamente confundem os nossos espiritos e a nossa capacidade de entender e de decidir sobre determinado facto ou situação.
          Relacionada com esta dicotomia circunstancial e com ela frequentemente confundidos existem os elementos estruturais e os elementos conjunturais desses factos ou dessas situações que constituem a sua própria razão de ser.  Determinado facto ou situação surge porque é estrutural à observação que se está realizando ou porque se insere na conjuntura temporal dessa mesma observação.  Estrutura é assim a própria substancia do facto ou da situação que se observa, enquanto que a conjuntura é o conjunto aleatório de elementos ou de acontecimentos exteriores a esse facto ou situação que influenciam a observação desse mesmo facto ou dessa mesma situação.
          Quando se diz, por exemplo, que determinada acção governativa foi objectivamente positiva por causa da politica seguida pelo governo que está conjunturalmente no poder naquela altura, ao vulgar observador é muito dificil desmentir tal afirmação. A politica é o que parece ser e não o que é de verdade. Por aqui se pode ver como é fácil usar a demagogia. Observados os fenómenos mais de longe e sobretudo mais dinamicamente podemos constatar que determinada acção - por vezes até obrigando a sacrificios e a privações das pessoas em geral - produz os resultados positivos pretendidos mais tarde beneficiando o governo seguinte e virando contra o anterior (o verdadeiro autor do processo regenerador produtor de resultados objectivamente positivos para o país) o opróbio de nada ter feito que produzisse os resultados só agora verificados.
          Por outro lado, o relacionamento soez entre causa e efeito e estrutura e conjuntura produz a ilusão de que tudo vai bem abrindo as portas aos gananciosos e aos inescupulosos que, aproveitando-se da paz podre instalada, esbulham desavergonhadamente os ganhos circunstanciais dos efeitos positivos de politicas de rigor e contenção levadas a cabo por anteriores governos conscenciosos e trabalhadores.
          Não nos iludamos com quimeras e fogachos esparsos que se apagam num ápice. O turismo vai como veio, sem esforço e sem determinação (basta que volte a paz ou que comece o terrorismo em Portugal); as exportações não reflectem aumento do PIB (os nossos portos estão a ser usados por terceiros por motivos circunstanciais); enquanto não prosseguirem as reformas estruturais iniciadas na época da troika e ainda não terminadas nada de estrutural (ou seja permanente, imutável ou irreversivel) será feito. A inflação espreita e os rendimentos são esbulhados pelo fisco. Cada vez há menos ricos (os verdeiros já cá não estão, Belmiro, Soares dos Santos, Amorim) os riquinhos deixaram de o ser e a horda dos remediados que vivem da segurança social não cessa de aumentar. Pobres, pobres, há de facto cada vez menos mas graças à UE que financia indiscriminadamente os verdadeiros sem-abrigo (calões profissionais) e os terroristas vindos doutras terras com passaportes civilizados. Não cruzemos os braços rindo alarvemente à passagem dos novos senhores. Obriguemo-los a trabalhar séria e honestamente em favor do povo sacrificado, mas não como Catarina e Jerónimo apregoam. Esses querem é acabar com aquilo que ainda subsiste de bom e que graças à preclitante UE ainda cá vai chegando. Rezemos à Senhora de Fátima para que a conversão que já chegou à Russia venha agora para cá que muita falta nos faz.

       ALBINO  ZEFERINO                                                                                                  22/9/2017

segunda-feira, 31 de julho de 2017

JOGOS DE GUERRA


          Von Clausewitz dizia no sec XIX que a guerra era a diplomacia feita por outros meios.  Quando a diplomacia (ou seja, a conquista do parceiro através da persuação) falha, não há outro remédio senão impôr o nosso ponto de vista através da força. Por essa razão existem ainda hoje exércitos e armas de guerra. Imaginemos então o que se poderia passar face à situação actual das coisas neste conturbado mundo do sec. XXI em que vivemos.
          Desde a eleição do inesperado Trump para a presidencia norte-americana que se têm agudizado os conflitos e as incompreensões entre Estados e entre os povos. É não só na América, mas no Pacifico, na Russia , no Médio-Oriente, nas Arábias e na Coreia. E mesmo em países naturalmente pacificos e tranquilos, como nas Filipinas ou na Republica Centro.africana, por exemplo, os contenciosos entre facções ou grupos politicos ou étnicos têm rebentado como cogumelos podres.
Imaginemos pois o seguinte cenário:

1. Trump farta-se das experiências atómicas dos norte-coreanos e resolve (assustado), com o apoio dos seus generais, bombardear aquele pequeno e fictício país que tanto diz e incomoda os americanos. A reacção russa não se faz esperar e Putin declara guerra aos EUA, ocupando de surpresa o Alaska.

2. Trump reune a NATO, que resolve ir estudar a situação. Entetanto, o Japão (que só esperava o pretexto) ocupa as ilhas Curilhas e entra pelo continente chinês dentro. A Indonésia invade os países à sua volta e prepara-se para enfrentar a Austrália, que ameaça represálias.

3. A pretexto do auxilio aos coreanos do norte, a China invade a Coreia de Sul e provoca bombardeamentos de resposta por parte da 5º esquadra americana em exercicios na zona. A China está sendo flagelada a norte pelo Japão e a sul pelos americanos.

4. Após uma semana de reflexão sobre a resposta a dar por parte da NATO à invasão russa do Alaska, os norte-americanos declaram guerra total à Russia lançando misseis intercontinentais sobre Moscovo e São Petersburgo. Os russos pedem auxilio aos alemães sob pena de cortarem o fornecimento de gaz à Europa através do Gulfstream.

5. A UE reune de emergência (durante a noite numa cave duma rua desconhecida de Bruxelas) e não se entende sobre a resposta a dar aos russos. Os ingleses do Brexit aproveitam para declarar a sua saida incondicional da UE a partir da meia-noite do dia seguinte. Á saída da reunião nocturna (eram horas dos telejornais da manhã na Europa) Merkel declara aos jornalistas o apoio alemão aos russos.
Espanha, Grécia, Itália e Portugal  acompanham a Alemanha mas com reservas (logisticas não politicas). França pelo contrário declara-se neutral, no que é acompanhada pelos países do Leste europeu e por outros. A UE acabou sem glória nem virtude.

6. Portugal manda uma missão secreta (mas publicada em todos os jornais do dia seguinte) à Argélia para garantir a continuação do forneciamento do gás natural via pipe-line. Os espanhois, despeitados, fazem o mesmo no dia seguinte, escondendo porem ao mundo a diligencia portuguesa anterior. Zangam-se as comadres, fecham as fronteiras e acaba a cooperação luso-espanhola. Resultado: ficamos isolados do continente e do gaz argelino. Os bancos espanhois em Portugal fecham e começa o racionamento alimentar. Numa semana Portugal definha.

7. A guerra prossegue cada vez mais virulenta. Bombardeamentos alternados sucedem-se, cessam os voos comerciais e o fornecimento regular de bens e serviços. A fome instala-se na Europa. Bruxelas fecha e a sede do que resta da UE passa para Paris com novos comissários (todos franceses).

8. Nos EUA chovem bombas de todos os tipos. Vários Estados já declararam o estado de emergência e vêem-se filas intermináveis de refugiados maltrapilhos, deambulando nas estradas dum lado para o outro desnorteados. Na Russia deixou de se ver gente nas ruas esburacadas e só o ruido das bombas a explodir e dos aviões no ar indica que há ainda vida.

9. Da China não se sabe nada. Se ainda existe, onde páram o trilhão e duzentos milhões de chineses, até onde chegaram os japs. O extremo-oriente é de novo uma selva inexpugnável como no tempo da Indochina.

10. A Venezuela livrou-se do Maduro sem saber como. Terá fugido? Terá sido comido por um crocodilo? O certo é que os venezuelanos são os únicos que bailam nas ruas debaixo de fogo esparso que cai do céu por ricochete.

11. O Brasil está finalmente dividido. No norte, manda Santos, o prémio Nobel colombiano. O sul ficou dividido em pequenos Estados (por etnias europeias: alemanicos, italianos, ibero-americanos, etc.) que se ajudam mutuamente. Vivem noutro mundo. O seu. O resto da América Latina foi invadido pela floresta virgem.

12. A guerra mundial prossegue já sem se saber quem está do lado de quem e quem é o inimigo. As sucessivas alianças, mediações, invasões, extreminações e declarações de amizade logo desmentidas ou reafirmadas, não permitem chegar ao cessar-fogo que todos anseiam. O mundo está em desmembramento. Há que esperar que os sobreviventes jovens cresçam para recomeçar tudo de novo.

                         ALBINO  ZEFERINO                                                      31/7/2017