quarta-feira, 6 de junho de 2018
A NOVA EUROPA
Com a nomeação dos novos governos de Itália e de Espanha, a Europa está em remodelação profunda. Desaparecidos os antigos partidos que dividiam as sociedades em esquerda e direita e em redor dos quais os governos dos países europeus se iam formando sucessivamente, verifica-se hoje que a dicotomia entre o capitalismo e o estatismo como formas alternativas de condução das sociedades está em crise, tendo dado lugar a governos hibridos cujas composições privilegiam mais a legitimidade da maioria dos votos e menos as ideologias que os sustentam. Dito de outro modo, mais vale contar com apoios que impeçam as quedas imprevistas dos governos do que a coesão ideologica dos mesmos. Ou melhor ainda, às malvas com as promessas eleitorais em prol duma sustentabilidade governativa que permita avançar com acções concretas que desenvolvam as sociedades e as aproximem mais umas das outras. É isto a Europa de hoje. Traçadas as linhas essenciais de conduta das sociedades europeias através dos sucessivos tratados europeus cada vez mais integradores da sociedade europeia em geral, a Europa unida vai ficando progressivamente mais unida mesmo se as frentes anti-europeias colaborem directamente para essa integração. É esta a essência hoje dos governos de coligação que usam a politica europeia como desculpa para as acções menos ideologicas e mais pragmáticas dos seus governos.
Senão vejamos. Que problemas são hoje os que mais preocupam as sociedades europeias: é a imigração descontrolada vinda do Mediterrâneo ou a manutenção dos minimos indispensáveis para viver? São as condições de vida dos filhos desocupados ou o trabalho precário dos trabalhadores? É a susbsistência do euro como factor de união dos europeus (e do reforço da solidaridade europeia) ou a independência serôdia de algumas regiões europeias? Muitos mais exemplos haveria para citar para constatar que as preocupações dos cidadãos europeus se centram muito mais hoje no seu desenvolvimento global face às pulsões desenvolvimentistas de regiões extra-europeias do que na defesa de ideologias politicas próprias dos romanticos de seculos passados. É, a meu ver, isto que explica o surgimento de governos de geringonça que, inaugurados em Portugal por um europeu pragmático e inescrupuloso, começam a despontar por essa Europa fora assustada com a velocidade com que os acontecimentos empurram os politicos para acções pragmáticas conducentes a uma progressiva união europeia assente mais em causas materiais do que em valores morais e éticos.
A União europeia é hoje uma realidade insofismável. As esquerdas e as direitas anti-europeias assumiram já esta realidade e só por táctica politica não a reconhecem. Não se procure porem um fim ao processo integrador europeu. A UE está em permanente construcção mesmo se nalguns projectos possa parecer ter parado ou mesmo retrocedido. A vitória sobre a crise de 2008 é a prova disso. Sem as politicas europeias de apoio ao sector bancário (com destaque para o papel activo e preponderante do Reino Unido) e a condução criteriosa e determinada da Alemanha, a UE passou com distinção a sua prova de vida para os próximos tempos. Titubeante é certo, menos veloz para uns e muito depressa para outros, determinada para alguns, confusa e sem projecto consistente para outros, o certo é que está de boa saude e recomenda-se.
ALBINO ZEFERINO 6/6/2018
quinta-feira, 8 de março de 2018
POLITICAS DEMOCRÁTICAS E DE ESQUERDA
Desavergonhada e insolentemente vêem-se por essa Lisboa fora cartazes publicitários com apelos às politicas democráticas e de esquerda, como se as politicas de hoje não fossem democráticas nem de esquerda. A democracia portuguesa está bem definida na Constituição da Republica e a sua aplicação em Portugal nunca foi seriamente contestada desde há mais de 40 anos. Quanto a ser de esquerda é perfeitamente legitimo que, estando um partido de esquerda no poder, as suas politicas sejam de esquerda.
O que não me parece legitimo é a defesa de politicas de esquerda como sendo as unicas que são democráticas. A malandrice - para não dizer outra coisa que poderia ofender os mais sensiveis - está na conjunção. Se o povo fosse apelado nesses cartazes à defesa de politicas democráricas de esquerda (e não a politicas democráticas e de esquerda) era compreensivel o argumento. Cada um apela àquilo a que acha mais justo. Agora aproveitar o apelo para excluir os seus adversários ideológicos de legitimidade democrática, não lembra ao diabo. Só aos comunistas e aos seus apaniguados, cuja logica assenta num poder exerido tiranicamente, através duma ditadura (a do proletariado) tendente à supressão material e ideológica dos seus adversários. E como pensam assim, agem assim tambem.
As politicas distinguem-se habitualmente entre esquerda e direita porque inicialmente os britanicos sentaram no Parlamento deles (em Westminster) os conservadores à direita e os trabalhistas (antes eram os liberais) à esquerda, a contar do speaker. O speaker senta-se num dos extremos do rectangulo e dirige os trabalhos. Dá e tira a palavra, controla os tempos das falas, conta os votos, anuncia os resultados, enfim, faz o trabalho não politico. Por isso se chama speaker (aquele que fala) e não presidente, porque não preside a nada. Por cá é ao contrário. O gajo mais importante é o que faz de speaker. Não politica nada, mas dá bocas (fala). Mas alem disso preside ao parlamento (não se percebe bem o que é isso) e, por isso, é o segundo mais importante cá do burgo lusitano, depois do presidente da republica. Pobre país, pobre democracia, pobre politica democrática e de esquerda.
ALBINO ZEFERINO 8/3/2018
sábado, 3 de março de 2018
O ESTADO DA ARTE
A diminuição da qualidade das sucessivas presidencias norte-americanas desde o fim da guerra fria tem vindo a evidenciar o progressivo abaixamento de qualidade das forças armadas dos E.U.A. O aumento do recurso às novas tecnologias para uso militar (drones, armas electrónicas, automatismo das plataformas, possibilidade de uso de armamento quimico e nuclear, etc. etc.) tem vindo a retirar ao factor humano aquilo a que os antigos chamavam de instinto ou vocação militar e colocado nas mãos de "freacks" da electrónica o que dantes era apanágio dos Rambos e daqueles que davam a vida pela Pátria (o que as actuais gerações desprezam e acham até ridiculo). Estrategas militares como Napoleão, ou até mesmo Eisenhower, já não existem porque (dizem as novas lideranças) já não fazem falta. As guerras de hoje estão circunscritas e a estratégia já não é geográfica, mas ideológica. Ganham-se almas e adeptos através da televisão como se dum vulgar match se tratasse e as verdadeiras lutas são pela sobrevivencia dos empregos e dos estatutos sociais e materiais de cada um.
Prova disso são o incremento dos acidentes causados por distracção inaceitável dos respectivos utilizadores ou pelo uso desajeitado do material que lhes está confiado (e no qual eles cegamente confiam) - causas maiores dos desastres com armamento militar - que comprometem as missões e diminuem os niveis de prontidão das várias forças armadas pelo mundo fora. Não é por acaso que o pacifismo alastrou no mundo e tambem por isso o empenhamento nas missões militares vai escasseando de geração em geração em todo o lado. Veja-se, por exemplo, as causas humanas dos abalroamentos de navios de guerra no mar ou o desleixo em que se encontram o pessoal e os paiois nas unidades militares em terra ou a ocorrência de acidentes com aviões de combate por desgaste de material ou por mau uso dele em voo. As gerações de hoje já não creem que as guerras que interessam sejam travadas entre exercitos ou marinhas. As verdadeiras guerras (pelo bem estar ou pelo sucesso pessoal de cada um) são travadas nas ruas das grandes cidades ou nas televisões generalistas e são conduzidas demagogicamente por politicos de alpercata e de lingua fácil.
A propagação das armas de dissuasão nuclear e a pulverização do poder militar por vários focos, limitam a possibilidade de confrontações militares de grande envergadura e criam na mente dos homens a sensação de que a vida é eterna mas ao mesmo tempo voluvel. Hoje ninguem se imola pela guerra (a não ser os fanáticos) nem ninguem se oferece para combater (a não ser os indigentes). As forças armadas são uma necessidade (como o hino ou a bandeira nacionais), mas não servem para preservar a independencia dos Estados ou para conquistar territórios ou aumentar o poder. Disso se encarregam os politicos com as suas manhas e negociatas. Toma lá soberania a troco de dinheiro para gastar. As grandes preocupações já não são o dominio territorial ou o controle de partes do mundo. Hoje o que interessa é a influencia. Influencia nos media, influencia na politica, influencia nos negócios. Quem tem influencia é grande e forte; quem não tem é fraco e desprezivel. Isto aplica-se aos homens e aplica-se aos países. As forças armadas são (como se dizia antes) o povo em armas. Se o povo é forte, as suas forças armadas reflectem isso; se é fraco é o contrário.
ALBINO ZEFERINO 3/3/2018
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
A ASCENSÃO LENTA MAS PERSISTENTE DA EXTREMA DIREITA
Os altos e baixos verificados na constituição do novo governo alemão, que já se arrasta por quase 6 meses, são presságio do desconforto sentido por uma população cada vez mais desiludida pela forma como tem vindo a ser governada em democracia. A procura (quase desesperada) por um governo de coalição ao centro relecte o receio da classe politica alemã no surgimento irremediável da AfD como verdadeira alternativa de governo, fazendo recordar o periodo negro do fim do regime de Weimar e a ascensão abrupta do nazismo ao poder legitimo. Depois foi o que se sabe.
A Alemanha é hoje incontestavelmente o farol onde todos os olhos repousam para fazerem as suas politcas. A Alemanha domina o continente através da UE e o mundo inteiro através do euro. Merkel tem sido eregida em condutora de ideias, seguidora de politicas e salvadora de pátrias. Só que essa percepção de fazer politica está a começar a ser posta em duvida e a ser objecto de captura pelos ideais dogmáticos de certas correntes extremistas que, como cogumenlos, têm despontado nas paisagens politicas de cada vez mais países tradicionalmente democráticos. Veja-se o caso da Polónia, da Hungria e da Austria, paises vizinhos da Alemanha; veja-se a Russia de Putin, que é temido como se de um czar se tratasse; veja-se a ascensão irremediável das extremas-direitas nos países do Benelux; até na Grécia a Aurora Dourada e a Frente Nacional em França agem como alternativas democráticas aos actuais governos em funções; veja-se os EUA onde o partido republicano no poder foi capturado pela extrema-direita caceteira do hinterland americano. Em Itália a Lega Norte cada vez mais se impacienta com os arranjinhos socialistas dos romanos; na Turquia, Erdogan venceu a contra-revolução e está para ficar, enquanto que Brasil, México, Colombia e Argentina voltaram à direita. Enfim, os exemplos abundam e o receio de mudança de paradigma assusta. Só na peninsula ibérica ainda não surgiram manifestações abertas de alternância não democrática para disputar o poder democrático. Mas o previsivel desmoronamento do PP em Espanha e o refluxo da geringonça em Portugal certamente se encarregarão de destapar o manto com que os reaccionários se cobrem à espera dos inevitáveis colapsos dos respectivos governos.
Como será a Europa do seculo 21 e como agirão os nossos filhos e netos quando chegarem ao poder? Será que se contentarão com as disputas eleitorais regulares? Será que continuarão a privilegiar os direitos humanos e os direitos sociais acima dos económicos e do bem-estar? Não preferirão votar (ou simplesmente apoiar) aqueles que lhes proporcionem uma melhor vida imediata relativamente aos idealistas que lutam pela igualdade, pela liberdade e pela fraternidade? Não sei, mas desconfio.
ALBINO ZEFERINO 21/2/2018
domingo, 18 de fevereiro de 2018
AS FRENTES POPULARES
Muito se tem falado de "frente popular" em referencia à governação que se instalou em Portugal desde as ultimas eleições legislativas. Houve mesmo quem tivesse baptizado o actual conglomerado de partidos que hoje toma decisões por todos nós como tratando-se de uma verdadeira geringonça (calhambeque ou coisa estranha e mal feita que ameaça partir-se ou desfazer-se). Efectivamente, a experiência politica ensaiada em Portugal pelo actual primeiro ministro foi sempre rejeitada, mesmo nos anos extremados da revolução abrilista, por ser considerada perigosa e atentatória dos valores e principios norteadores da governação em liberdade. Não é por acaso (ou por desprezo) que as instituições comunitárias olham com desconfiança para o desenrolar titubeante e superficial da governação portuguesa, sempre atentas aos limites permitidos pelos tratados dentro dos quais o primeiro ministro tem conseguido, até agora, confinar os seus ferozes apoiantes.
Frentes populares sempre houve na história da Europa e nenhuma delas trouxe algo de positivo. Basta recordar a frente popular espanhola dos anos 30, que resultou na feroz guerra civil espanhola. Ou na frente popular francesa de Leon Blum, que acabou com a invasão nazi da França.
Portugal tem conseguido manter-se independente politica e economicamente desde o 25 de Abril, graças à opção esclarecida e tenaz dos democratas de Abril que conseguiram (contra a corrente vigente do PREC) aderir ao então Mercado comum europeu e assim suster a caminhada desvairada dos comunistas que nos arrastavam em direcção ao colectivismo marxista em vigor no Leste europeu. Sem a UE, seriamos hoje a Cuba da Europa com as suas lindas praias e as mulheres à venda, numa sociedade igualitária e ditatorial com Cunhal (e agora Jerónimo) a decidir o que fazer connosco. Enquanto Soares viveu, nunca nenhum chefe socialista se atreveu a correr tais riscos. Foi preciso aparecer Costa (António e não Afonso) para, num golpe de desespero, ensaiar esta farsa governativa (a tal geringonça) que ainda não nos arrastou para o fosso porque a sorte grande do celerado (ou a mão de Deus) não permitiu. Da abertura do espaço economico portugues, proporcionada pela adesão à UE, resulta que o nosso país está cada vez mais sujeito às contingências das crises de crescimento europeias e mundiais. Quando há crise fora das nossas fronteiras, há crise cá dentro; quando há recuperação fora, há recuperação cá dentro. Simples e verdadeiro. Se Lisboa cresce (porque Madrid cresce), o Porto tambem cresce (e a Maia tambem). É por causa desta dicotomia que Portugal regista valores economicos positivos. Não é por causa da geringonça. Direi mesmo mais: se não fosse o raio da geringonça, o nosso crescimento seria ainda maior, pelo menos igual ao espanhol. De outra forma não seria possivel explicar-se esta recuperação. Como se explica então que medidas restritivas do crescimento (como a transformação de trabalhadores precários em fixos sem correlação com aumentos de produtividade correspondente, ou a luta pelo controle sindical em unidades industriais de ponta comprometendo o aumento da sua produtividade, ou a passagem ao quadro oficial de professores excedentários sem atender ao abaixamento do numero de alunos, ou a reversão de medidas financeiramente restritivas decretadas pelo governo anterior, apenas por razões ideologicas ) impostas pelos parceiros parlamentares esquerdistas do partido do governo, não tenham produzido quedas nos indices de crescimento portugues? Pois porque esse crescimento foi essencialmente provocado pela recuperação economica europeia e não reflectiu qualquer progresso induzido por medidas decretadas pela geringonça. É esta a trapaça que urge desmontar. Não faz sentido nenhum existir um governo de cariz europeista apenas sustentado por partidos anti-europeistas. É um contrasenso politico, uma originalidade portuguesa que não é originalidade nenhuma, pois é uma farsa.
Nesta indefinição reside a confusão que paira no PSD e que ficou bem patente no congresso deste fim de semana que entronizou Rui Rio como novo lider laranjinha. A bacoca divisão entre os apoiantes de Rio (que supostamente acreditam que a modesta recuperação economica portuguesa se deve ao grande Costa e à sua geringonça) e que aceitarão a constituição dum novo bloco central quando o malandro do Costa for enfrentado com a realidade (isto é, quando o PC constatar que perdeu mais com a geringonça do que ganhou com ela) e os apoiantes de Passos Coelho (que foi longamente aplaudido no congresso) reunidos à volta do vencido Santana, que persistem na defesa dum PSD uno, forte e grande. Nessa altura, ou o PSD governa sozinho ou se junta ao PS numa coligação governativa ou num simples apoio parlamentar, ou então o PS consegue maioria parlamentar para governar sozinho. A ver vamos. O que não me parece curial é que ainda antes das eleições haja já quem antecipe resultados e trace estratégias em conformidade. Se não é saloio, parece.
ALBINO ZEFERINO 18/2/2018
segunda-feira, 15 de janeiro de 2018
THE SHITHOLE COUNTRIES
Aos países menos desenvolvidos chamava-se antes países sub-desenvolvidos e hoje chama-se mais prosaicamente países em desenvolvimento. Mas será que esses países estarão mesmo em desenvolvimento? Ou será antes uma outra forma mais leve ainda de designar um território povoado por ignorantes e atrasados como sendo um país?
Um país é a desgnação vulgarmente atribuida a um território povoado que constitui uma unidade cultural, politica e economicamente viável. Os países independentes (hoje já não existem territórios não independentes) constituem-se em Estados que são entidades formadas por uma população vivendo num território e dirigida por um governo. Mas será que todas estas entidades serão iguais umas às outras? Bastará existir uma mesma população, um mesmo território e um mesmo governo para que todos os Estados se reclamem iguais? Por muito que custe a muita gente, não me parece que assim seja.
Todos aceitam que haja países ou Estados mais desenvolvidos do que outros. Mais cultos, mais ricos, mais influentes. Parece ser pacifico e isento de quaisquer duvidas que os EUA, por exemplo, sejam mais importantes do que o Haiti ou as Ilhas Comores. Ou até que a Alemanha seja mais importante do que Portugal. Ou que Angola seja mais importante do que a Guiné-Bissau. Alguns pensadores até começaram a chamar aos países menos desenvolvidos (e portanto ainda débeis, de duvidosa autonomia e com poucos recursos) pseudo-estados, estados falhados ou estados inviáveis.
O que é então preciso para que determinados países sejam considerados viáveis? Pois que se consigam governar a si próprios, autonomamente e sem recurso permanente a ajudas externas. Sem necessidade de se ir tão longe como foi o grande Tolstoi ao afirmar que "o Estado é uma conspiração criada não apenas para explorar, mas acima de tudo para corromper os cidadãos", poderá dizer-se que sem Estado não há ordem civica. Ora há países onde impera a anarquia e a corrupção generalizada e que contudo continuam a ser considerados Estados como quaisquer outros onde isso não acontece. O que faz então diferir uns Estados de outros? A meu ver é a organização politica que determina a qualidade de Estado ou País viável. Se determinado país está politicamente organizado, funcionando as suas instituições regularmente e a respectiva economia cresce sustentavelmente, então poderemos dizer que se trata de um país viável ou desenvolvido. Se porventura nada disto ocorre ou o que acontece é um simulacro de organização e de crescimento económico sustentável, então o país está sub-desenvolvido, ou mais prosaicamente, poderá ser classificado como país em vias de desenvolvimento, ou mais dogmaticamente, país falhado ou pseudo-estado. As agencias de notação, muito em voga nos tempos de hoje, costumam classificar estes países como sendo de lixo, ou seja insusceptiveis de satisfazer os seus compromissos crediticios e portanto pouco ou nada aconselhaveis ao investimento externo.
Vem isto a propósito da imigração, tema hoje recorrente em todo o lado, dadas as facilidades de movimentação das pessoas entre países e até dentro do mesmo país de região para região. É perfeitamente legitimo que os governos dos países receptadores de imigração limitem as entradas de refugiados (sejam eles refugiados politicos ou económicos) estabelecendo quotas ou condições objectivas para a sua entrada. A abertura descontrolada de fronteiras baseada na solidaridade entre os povos ou nações conduz necessariamente a um desequilibrio social, pernicioso ao desenvovimento sustentado das politicas sociais e economicas dos estados receptores. Não é assim de estranhar que os governos que privilegiam o crescimento economico dos estados que governam imponham limites a essa imigração descontrolada, a fim de evitar a prazo que o excesso de despesa social e a insegurança cidadã derivados dessa imigração, possam afectar o normal desenvolvimento social e económico dos Estados afectados.
É uma visão estreita e pouco realista a que defendem alguns governantes, baseada numa indiscriminada liberalidade na autorização de entrada nos seus países de quaisquer refugiados venham de onde venham ou como venham, fundamentada apenas na solidaridade entre estados e entre cidadãos, sem atender aos interesses dos países que esses mesmos governantes representam, sem atender aos interesses dos seus próprios cidadãos e ao seu normal e legitimo desenvolvimento.
ALBINO ZEFERINO 15/1/1018
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
O RECURSO INDISCRIMINADO E CONSTANTE AO VOTO POPULAR PARA ESCONDER A INCOMPETÊNCIA GOVERNATIVA
Neste conturbado final de ano que se aproxima o que de mais relevante me parece ter ficado é a incompetência generalizada da maioria dos governos dos países organizados resultante do recurso indiscriminado e constante ao voto popular para esconder essa mesma incompetência. Vários exemplos podem ser apontados para consubstanciar a constatação deste facto: desde o famoso Trump, à contestada May, passando pelo pequeno Puigmont e pelo seu sócio de estimação Rajoy, pelo brasileiro Temer ou pelo venezuelano Maduro, até ao frances Macron ou à alemã Merkel ou ao italiano que ninguem conhece e que graças a novas eleições ontem marcadas para Maio será provavemente substituido pelo palhaço Beppe Grillo, vários são os exemplos que nos vêm imediatamente ao espirito.
Será que a democracia que todos perseguimos de forma mecanica e com esperança redentora está esgotada como o meio representativo mais justo e mais eficaz para a governação dos Estados e das pessoas? Não sei. Vejamos então. Assentando nos partidos politicos a organização democratica dos Estados, são os seus respectivos chefes aqueles que se apresentam como candidatos ao escrutinio popular de cada vez que eles próprios resolvem convocar eleições para se legitimarem ou para tentarem substituir os seus adversários no exercicio do poder. Ou seja, sem quaisquer provas dadas ou competências comprovadas, qualquer alma ambiciosa se prontifica a mandar nos outros desde que a maioria daqueles que resolvem ir votar os eleja para isso. E muitas vezes até lá chegam por caminhos ínvios que nada tiveram que ver com a maioria dos votos recolhidos. É o caso dos governos de coligação, cada vez mais frequentes dada a dispersão dos votos dos eleitores cada vez mais confusos com as opções politicas que lhes são apresentadas e mais manobráveis pela malandrice dos que querem ser eleitos sem olhar a meios nem a escrupulos morais.
Não será esta fórmula uma forma pouco sólida para escolher afinal aquele ou aqueles dos quais vai depender a nossa vida por um tempo? Que meios tem o vulgar cidadão para contestar ou vigiar aquele que elegeu (ou que foi eleito pelos seus adversários) na respectiva acção governativa, que implica decisivamente na sua vida e no seu futuro? A Assembleia da Republica? Como? Através da acção parlamentar dos deputados em quem votou? Deixem-me rir. Será então atraves do Provedor de Justiça? Com que meios? Com que garantias de isenção? Será através da justiça? Da Procuradoria? Dos tribunais e dos seus juizecos? Deixem-me rir outra vez. Será então atraves do recurso à justiça privada? Ao crime organizado? Ao terrrorismo mesmo? Talvez mesmo à insurreição ou à revolta. Porque não? Se os governos forem considerados ilegitimos porque não derrubá-los tambem ilegitimamente? Não foi assim com Aljubarrota em 1385? Não foi assim em 1640 com a expulsão dos espanhois? Não foi assim nas guerras liberais em 1820? Não foi assim em 1910? E em 1926? E em 1974? Não creio porem que seja este o caminho.
Nos dias de hoje onde tudo se vê e se sabe em segundos e onde o nacionalismo já não se confunde com patriotismo, a escolha dos que nos orientarão terá que ser feita por meios mais cientificos e menos ideológicos do que até agora. A ideologia hoje é menos lirica (no sentido filosófico do termo) e mais concreta (no sentido materialista do termo). Hoje defende-se o bem-estar, o nivel social e económico e as boas relações e menos o emprego, o salário e o estatuto social. Todos têm o minimo para viver, comer, estudar e tratar-se. Até para divertir-se. O que nem todos têm é dinheiro para gastar à vontade, com caprichos e com luxos. Por isso os Ronaldos e os Mourinhos são hoje os adulados. Já não S.Francisco de Assis ou o Padre Américo. A democracia está tambem a mudar. Sob a aparência duma escolha séria, ponderada e esclarecida, as eleições servem hoje para escolher os mais bonitos, os mais bem sucedidos e os melhores actores. Depois quem manda são sempre os mesmos. Os realizadores do filme. Os produtores da realização. E os próprios actores do espectáculo.
Assim vai o mundo e assim vamos entrando no sec. 21 mais profundamente. Bom Ano Novo.
ALBINO ZEFERINO 29/12/2017
sábado, 2 de dezembro de 2017
AS INCONGRUÊNCIAS GOVERNATIVAS DA GERINGONÇA OU O APROVEITAMENTO CINICO DA ILETRACIA LUSITANA
Enquanto canta loas à possibilidade (eu diria a quase certeza) da nomeação de Centeno para lider do eurogrupo, Costa reune-se com o grego Tsirpas (que nem socialista é) para "afinarem estratégias para o próximo Conselho europeu". Se não fosse tão trágico até daria para rir. Como quer esta alma ser levada a sério se todos os seus actos politicos estão imbuídos dum cinismo doentio que obnibula os seus crédulos compatriotas e ao mesmo tempo disfarça a sua verdadeira crença numa Europa unida donde poderá retirar os louros que o eternizem no poder.
Ao contrário do seu antecessor, Costa finge. Para a direita, finge que é defensor do mercado livre e da iniciativa privada, a fim de não perder alguns apoios dos crédulos europeistas; para a esquerda, arvora-se em arauto do socialismo democrático (todos têm direito a tudo) para que os votos parlamentares da esquerda unida o conservem no poder (seu único e exclusivo designio). Passos, pelo contrário, não mentia (lembram-se do seu extraordinario desabafo: "que se lixem as eleições"?). Para Passos Coelho governar significava progredir, desenvolver, cultivar as terras e os espiritos, aumentar o produto para melhor o investir. Para Costa não. Para a geringonça o que é preciso é tirar aos ricos e poderosos para distribuir pelos mendigos e vagabundos (os que não trabalham nem querem trabalhar). Assim não se progride. Numa melhor conjuntura económica talvez seja possivel melhorar os rácios, diminuir as más avaliações e até recuperar algum dinheiro perdido. Mas isso são os pressupostos. O que interessa é o que se faz ao dinheiro disponivel. Se o gastamos mal (em subsidios não verificáveis, em empréstimos bonificados para os amigos e para os amigos destes, em salários desproporcionados em função dos resultados do trabalho correspondente, em obras de fachada, na manutenção de serviços publicos inuteis ou sobrepostos, em negociações desastrosas com os sindicatos da esquerda etc.etc.) então não teria valido a pena amealhá-lo (ou melhor roubá-lo ou pedi-lo emprestado). Mais valia tê-lo deixado ficar onde estava, que assim beneficiaria uns (aqueles que foram esbulhados e assim não o teriam sido) e libertava todos de mais cangas financeiras (não aumentaria a divida publica portuguesa nem os juros dessa divida).
Não nos iludamos com fantasias amalandradas. Centeno vai (irá?) substituir Djasselborn porque, primeiro é socialista (convém que o porta-voz do eurogrupo seja oficialmente de esquerda para não dar a impressão que as medidas restritivas aprovadas pelos ministros das Finanças do eurogrupo fiquem associadas a manobras da direita liberal e conservadora) e depois porque fala e escreve impecavelmente o ingles (idioma cada vez mais europeizado). Depois (há que reconhecê-lo) Centeno é trabalhador e competente, de formação intelectual yankee e portanto livre dos virus esquerdizantes que tomaram de assalto as universidades europeias. Quanto ao mais, nada. Qualquer simples observador desta politica da farsa ensaiada em Portugal por um malandro acanecado que tem efectivamente mostrado algum jogo de cintura e produzido alguns resultados palpáveis (mas mal aproveitados como foi dito atrás) deve-se essencialmente às cativações orçamentais (truque aparentemente milagroso, que consiste em não abrir mão das verbas orçamentadas para investimento publico) que produzem o mesmo resultado financeiro que os cortes (tão criticados e vilipendiados) de Passos Coelho impostos pela troika: abaixamento do défice publico e saneamento das contas publicas (menos despesas e mais receitas).
Poderá dizer-se, apesar de tudo o que foi dito, que Costa é um homem de sorte. O que aparece aos olhos superficiais dos que nos lêem e escutam, é um país progressivo, livre de cargas excessivas, modernizado, em suma, na moda, onde os turistas aumentam de dia para dia na busca de sol retemperador e de segurança cidadã. Enquanto que o esforçado Passos lutava diariamente com as incompreensões dos que não aceitavam (e foram muitos) o remédio que nos foi receitado para melhorarmos da doença sócretina (ainda não acusaram o homem, mesmo depois da acusação laboriosamente arrancada pelos valentes acusadores), Costa vem usufruindo dessa receita, tendo-lhe juntado outra (não menos eficaz) proveniente da cabeça privilegiada do homem por ele inventado: Centeno, o cativador. Centeno terá contudo muito que penar e muitas explicações que dar. Como vai ele evitar que Jerónimo e Catarina se atirem a ele quando o virem, na televisão a partir de Bruxelas, defender medidas de rigor financeiro aplicáveis aos países do euro (onde felizmente tambem está Portugal) depois de terem negociado com Costa mais um aumento de despesa publica injustificado e perdulário para Portugal?
ALBINO ZEFERINO 2/1272017
quarta-feira, 15 de novembro de 2017
PORTUGAL SEM RUMO
Ao contrário do que possa parecer as coisas em Portugal não vão assim tão bem como alguns apregoam. O crescimento económico débil (é menor do que a média europeia) afasta-nos da Europa civilizada (que é como quem diz do desenvolvimento consistente) e deve-se sobretudo ao incremento das exportações fruto da acção dos capitalistas nacionais e internacionais que investiram em Portugal (menos levados por patriotismos bacocos e mais por razões de ordem securitária e laboral) do que a qualquer planeamento consistente e eficaz desenhado pelo governo em funções. Efectivamente, o governo da geringonça (feliz designação com que algum palhaço se lembrou de classificar esta incongruencia politica inventada pelo malandro ambicioso que nos governa) o que tem feito é destruir o rumo a que a troika nos sujeitou para suster o descalabro para onde o ladrão do Sócrates conduziu o país. Passos Coelho foi apenas o meio disponivel para a troika aplicar a sua receita salvadora (e que infelizmente mesmo assim pouco fez para ajudar neste processo). Tivesse o governo anterior tido mais coragem e determinação nas reformas feitas e nas que deixou por fazer, não teria havido qualquer hesitação do eleitorado em erradicar por muitos e bons anos esta corja socialista dos corredores do poder.
Portugal tem estado sujeito desde há mais de 40 anos a uma ditadura do proletariado que impede a normal e desejada integração do país no seio do mundo civilizado e desenvolvido que a UE encarna. Desde o PREC (a que o PCP e seus apaniguados nos sujeitaram) que os sucessivos governos portugueses têm empurrado o povo ignorante e crédulo no sentido dum socialismo de alpergata com o enganoso pretexto da prossecução do Estado social, último degrau da etérea felicidade na terra. Não existe em Portugal (como noutros países da nossa esfera de acção) um verdadeiro partido de direita (e muito menos de extrema-direita) defensor da diferença e da verdadeira liberdade de acção que distingue os bons dos maus, os trabalhadores dos perguiçosos, os sérios dos malandros, os melhores dos piores, os inteligentes dos estupidos e os bem intencionados dos mal intencionados. Reger toda a gente pela mesma bitola, como se a igualdade dos direitos e dos deveres fosse um principio sagrado cuja interpretação constituisse um sacrilégio indigno, leva a que o nivel social dos portugueses caia cada vez mais baixo, em vez de subir com o normal desenvolvimento das pessoas.
A governação dos países ditos civilizados assenta no liberalismo económico e na socialização das tarefas que, apenas sendo do interesse comum, devem caber ao Estado. Os partidos devem distinguir-se ideologicamente entre os que defendem uma maior ou menor intervenção do Estado na vida das pessoas. Estado forte, menos liberdade de acção dos particulares e menor desenvolvimento, à esquerda; Estado exíguo, mais liberdade de acção individual e maior desenvolvimento, à direita.
Porém, em Portugal as coisas não são assim. Todos os partidos são de esquerda. Desde os abertos defensores da ditadura do proletariado (os da extrema esquerda e da televisão) até aos ditos do centro (coisa que não existe) defendem o Estado social, inquisidor, regulador, manipulador, espoliador. O partido socialista é liberal nos costumes e social na economia. Dá para os dois lados.
E então o da geringonça é abertamente liberal nos costumes (para agradar aos bloquistas) e declaradamente social na economia (para agradar aos comunistas). É um governo sem norte, sem ideias, confuso, espoliador e cerceador da liberdade de empreender. Senão vejamos.
Na Educação, defende os professores contra os alunos, a facilitação programática contra o rigor cientifico, a escola publica (a de todos) contra a escola privada (a das elites); no Trabalho, defende o trabalho fixo (privilegia os trabalhadores em detrimento do trabalho) em vez do trabalho flexivel (dá primazia ao trabalho em vez de olhar só para os direitos dos trabalhadores) e preocupa-se mais com os salários minimos e com os contratos colectivos de trabalho em vez de privilegiar a produtividade das empresas; na Saude, defende o SNS facilitando o acesso indiscriminado aos meios de diagnóstico e o acesso às urgencias (sem atender ao aumento incontrolável da despesa publica) contra a saudável concorrencia entre o sector publico (para quem não possa pagar exorbitancias) e o sector privado (para quem queira e possa suportar os luxos); na Segurança social, fixa as reformas, cria os subsidios estatais e o acesso aos beneficios sociais gratuitos sem atender, quer às necessidades das pessoas , quer às disponibilidades do Estado, em vez de programar criteriosamente em função das suas posses e das necessidades dos beneficiários; na Fiscalidade, preocupa-se mais em encontrar esquemas de subtracção de lucros do que no equilibrio entre impostos directos e indiretos, bem como na fixação de grelhas fiscais justas e equilibradas para os diversos graus de contribuintes (é o célebre slogan comunista a funcionar:"Os ricos que paguem a crise").
Enquanto não acabar este governo espúrio e sem norte, apenas interessado em si próprio e nas benesses que proporciona aos seus boys and girls (agora já mais girls do que boys) não conseguiremos sair da cêpa torta, nem nunca mais progrediremos neste mundo confuso e dificil. Valha-nos a UE e as suas troikas que continuam à espreita para ver se os disparates destes palhaços não os obrigam a cá voltar.
ALBINO ZEFERINO 15/11/2017
quarta-feira, 8 de novembro de 2017
ASSIM VAI O MUNDO
Cheio de tensões e de contradições, o nosso mundo - aquele que conhecemos hoje - lá vai andando ameaçado por trágicas premunições de confrontações avassaladoras mas ainda não definitivas ou fatais para a humanidade. É o Trump e a implicação norte-coreana, é o hipotético regresso de Lula pela incapacidade brasileira de gerar alternativas crediveis, são as sucessivas tentativas nacionalistas de desmantelar a precária Europa que há mais de 60 anos procura uma unidade impossivel, é a imparável afirmação chinesa na crista duma globalização avassaladora, é o Estado islâmico destruidor de civilizações milenares, é a pobre África cada vez mais pobre e mais explorada, são as ameaças ambientalistas do aquecimento global do planeta, é a riqueza mal distribuida e o aumento da miséria e da pobreza, enfim, é o avanço duma civilização preclitante e de contornos indefinidos e contraditórios que baralha as mentes dos homens e cria expectativas de desenvolvimento por vezes ilusórias e enganadoras. Será o nosso próximo futuro o principio do fim da civilização que conhecemos ou, pelo contrário, a chegada ao mundo glorioso da felicidade suprema? Eu diria que dependerá da perspectiva em que nos coloquemos e dos olhos através dos quais observemos esse futuro incerto por natureza. Certamente não será nem uma coisa nem outra.
Faz este ano cem anos que nasceu o comunismo como experiencia politica no mundo. A par do nascimento de Cristo e da Revolução francesa, o comunismo foi o terceiro movimento social determinante para o futuro da Humanidade como hoje a conhecemos. Com Cristo aprendemos a amar-nos uns aos outros, com a Revolução francesa veio a consciencialização da igualdade entre os homens e com o comunismo nasceu o conceito do poder das massas. Só que a simplificação conceptual que tal análise encerra não é tão linear como parece. É certo que os tres grandes movimentos sociais estão ligados entre si, pois sem a generalização do Cristianismo não teria havido a Revolução francesa e sem as consequencias desta Lenine não teria conseguido implantar o comunismo na Russia dos czares. Mas tambem é certo que, durante os dois mil anos que decorreram entretanto, muitos outros movimenos sociais se sucederam, todos eles importantes para a formação ideológica do homem e todos eles fonte e origem do poder politico que vigora hoje nas sociedades civilizadas. O humanismo de Thomas More, a lógica de Rousseau e a dialética de Hegel por exemplo, trouxeram fortes contributos à formação do pensamento politico que hoje vigora entre as sociedades democráticas.
Ao contrário do comunismo, porém - que caiu estrondosamente com a Perestroika - os fundamentos do Cristianismo e os principios norteadores da Revolução francesa de 1789, estão fortemente presentes nos espiritos e nas almas dos homens de hoje. Não há doutrina politica que não se baseie quer numa quer noutra destas correntes de pensamento e até a dialética hegeliana não desapareceu das construcções filosóficas de algumas dessas correntes de pensamento. Se tomarmos a dialética por exemplo para explicar a evolução do mundo desde o nascimento de Cristo, podemos partir do principio que o império romano foi a tese, as invasões bárbaras a antitese e a criação dos Estados independentes daí decorrentes foi a sintese deste processo. A nova tese, a criação dos Esatdos independentes, daria origem à criação do novo império carolingio que seria a sua antitese, cuja sintese teria sido o desmembramento desse império e assim sucessivamente até ao império austro-hungaro que como tese teve a sua antitese na primeira GGuerra e a sua sintese no tratado de Versalhes que se transformaria por sua vez em tese cuja antitese teria sido a 2ª GGuerra e cuja sintese foi a guerra fria. Esta como tese teria tido a Perestroika como antitese e cuja sintese seria o actual estado de coisas, que transformado em tese tem a globalização como sintese. Transformada esta em tese tem os nacionalismos e a invasão muçulmana da UE como antitese. A sintese ainda está para vir mas não será impossivel de adivinhar: o desmembramento da UE como projecto politico virtuoso que trouxe ao continente destroçado 60 anos de paz e de prosperidade. Esperemos que assim não seja.
ALBINO ZEFERINO 8/11/2017
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