segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

O JURAMENTO DE HIPÓCRATES


          Para quem não saiba, o Juramento de Hipócrates é um compromisso implícito no exercício da profissão de médico pelo qual qualquer clinico, pelo facto de o ser, se compromete (jura profissionalmente) tratar qualquer concidadão necessitado da sua ajuda, em qualquer momento e em todas as circunstâncias de tempo e de lugar. É uma obrigação que dignifica a profissão que, por natureza, é a única que lida directamente com a vida e com a morte de todos nós. Outros profissionais da arte, embora devam (estes apenas por ética ou moral) pôr acima de qualquer interesse (pessoal, publico ou privado) a ajuda desinteressada ao seu semelhante, são tambem compelidos a agir da mesma forma.
          Vem isto a propósito das recentes noticias que vieram a lume segundo as quais ocorreram recentemente (parece que por coincidencia) várias mortes de doentes resultantes de falta de assistência médica especializada. Disse-se que não haveria médicos especialistas disponiveis para assegurar o tratamento desses doentes pois, como não ficara estabelecido o pagamento das horas extraordinárias, os médicos que deveriam estar ao serviço, não estavam. E que em consequencia de falta de assistencia adequada os doentes tinham morrido.
          Será que por dever de oficio os médicos deveriam estar ao serviço mesmo sem estarem definidas as condições remuneratórias do seu trabalho? Acho que sim. Verificando-se que a sua ausencia determinou a morte dos pacientes, julgo que, nestes casos, o médico deveria ter estado presente, independentemente da eventual razão que lhe assistisse em matéria remuneratória. Só depois de cumprido o seu dever de tratar os doentes, seria licito ao médico recorrer aos meios necessários para a satisfação dos seus interesses. Primeiro as obrigações, depois as devoções, diz o povo sabiamente.
          Porque razão a entidade reguladora da actividade médica (a respectiva Ordem profissional) não determinou aos médicos faltosos que cumprissem o seu dever profissional? Depois haveria tempo e oportunidade para, então, se pôr ao lado do médico reivindicando o respectivo pagamento do seu serviço. Ao tornar-se um mero sindicato reivindicativo e não orientador da actividade que regula, a Ordem dos Médicos falhou na sua função reguladora e deve tambem ser responsabilizada por isso. Os médicos faltosos não cumpriram a ética da sua classe ao não ter cumprido o juramento de Hipócrates e a sua Ordem não cumpriu com a obrigação que tinha de regular a actividade dos médicos, em qualquer circunstância de tempo ou de lugar, como dizia o filósofo.
          Quando se utiliza a protecção da vida humana como arma de arremesso contra os politicos, estamos a vilipendiar o serviço publico (neste caso o SNS) para além do manifesto desrespeito pela vida humana e pelos valores éticos que devem pautar a profissão. Esses médicos faltosos devem ser punidos como homicidas negligentes e a sua Ordem deverá ser multada por manifesto abuso de poder. O poder de não regular os seus associados quando o deveria ter feito. Teria salvado vidas e cumprido a função para que foi criada. Deus lhes perdoe, pois não sabem o que fazem.

                  ALBINO ZEFERINO                                                                28/12/2015
         

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

LIBERALISMO OU INTERVENCIONISMO?


          A recente mudança de governo em Portugal suscitou-me de novo esta duvida existencial que assola em permanência as mentes dos tugas desde que Portugal ingressou pomposa e definitivamente na Europa dos grandes e dos desenvolvidos. Longe já vai o mignon Portugal dos pequeninos, que os amigos de Salazar cinicamente retrataram no jardim conimbricense, para deixar claro que quem mandava era Lisboa e quem mandava em Lisboa era Salazar.
          Afinal o que é que queremos? Continuar a viver protegidos por esse magnânimo, misterioso e omnipresente Estado, que tudo controla mas que nos protege, ao mesmo tempo que decide por nós e nos castiga quando não fazemos o que ele determina, ou, pelo contrário, preferimos decidir as nossas vidas pelas nossas cabeças, votando regularmente em eleições livres e escolhendo o que pensamos ser melhor para nós? Para isso, porem, temos que saber assumir as nossas responsabilidades, não só quando não podemos fugir delas, mas sempre que de nós algo depende. O liberalismo é isso mesmo. É defender a iniciativa privada e a livre concorrencia, opondo-se à intervenção do Estado nas áreas reservadas à livre iniciativa, defendendo a separação dos poderes do Estado consagrados na Constituição. Mas esta liberdade pressupõe aquilo que em Portugal falta: a assumpção da responsabilidade pelos nossos actos.
          O portugues gosta muito de se vangloriar pelos feitos dos outros que ele toma comos seus, mas não é valente. Humilha-se. O portugues acobarda-se depressa perante os revezes da vida e foge facilmente das dificuldades que se lhe apresentam pela frente. É manhoso. Não prevê, não programa, não planeia a sua vida. É rebelde. Não sabe gerir nem decidir por si próprio. Precisa sempre de quem lhe assopre ao ouvido. Não é firme. É impiedoso com os fracos e submisso com os fortes. É desorganizado e perguiçoso, inculto e apaixonado. Não admira pois que, deixado à solta, o portugues se torne corrupto ou déspota. Foi esta alma lusitana que o anterior governo destapou com as politicas liberais que implementou à força da troika.
          Incapazes de reagir às vicissitudes impostas pelo governo liberal, os tugas sentiam-se aperreados por programas politicos e sobretudo económicos e financeiros importados da Europa civilizada, mas desadequados ao seu espirito irrequieto e desorganizado. O resultado está à vista. Novo governo minoritário com apoios espurios e com fim à vista. Como será possivel reconstruir o Estado omnipotente que tudo dava e tudo protegia, se a desorganização financeira do país chegou ao estado em que está? Onde vai o governo buscar dinheiro para aumentar os salários, as pensões, os abonos e os subsidios? Ao défice e à divida que tanto esforço custaram aos tugas para controlar. E como fazer crescer o país sem dinheiro para investir e sem investidores para investir?
         Receio o pior!

                            ALBINO ZEFERINO                                              25/12/2015

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A EUROPA DOS MINIMOS


          De crise em crise a Europa nascida no pós-guerra vem-se tornando numa Europa dos minimos. Da Europa de Gaspieri, Monet e Schumann restam as instituições europeias, transformadas em palácios da burocracia, cheios de gente que pouco faz e muito exige. A Europa de hoje é uma Europa reactiva. Reage em vez de agir. Reage às crises, reage aos fenómenos exógenos, mas já não age. Não cresce, não progride. Longe vão os tempos em que se buscavam politicas comuns, se idealizavam estratégias globalizantes, se assinavam tratados estruturantes. O último, o de Lisboa, redundou num fracasso!
          Não admira assim que venham crescendo os cépticos, os descrentes e os desiludidos com o chamado projecto europeu. A Europa subsiste porque serve de escudo aos problemas, às crises e às tragédias em que o mundo de hoje é fértil. Os países pequenos como o nosso sentem-se mais seguros debaixo do grande chapeu de chuva europeu a que pomposamente (ou ingenuamente) se vem chamando a União europeia. De união só tem as obrigações que nos são impostas em nome do progresso integrador que nunca acaba (sempre há algo que falta e muito há a fazer) e de europeu só tem o nome. Onde começa a Europa? Nos Urais ou no cabo da Roca? E onde termina? Em Israel ou nos Dardanelos? Talvez até em Istanbul do lado de lá do Bósforo, quem sabe? Ou afinal começa em Roma e acaba em Lisboa, passando por Maastricht e por Schengen?
          A Europa de hoje só se move para resolver problemas. É a união bancária em consequencia da crise financeira; é a reforma de Schengen por causa dos refugiados e são os fundos estruturais (a que pomposamente se chama hoje a Europa 20 20) para ir alimentando os pobres do alargamento. De novas politicas comuns, como poderia ser a politica externa, a politica de defesa, a politica ambiental ou até a politica financeira (que não é apenas a união bancária de que hoje tanto se fala), nada!
          Tudo isto provoca no cidadão europeu (aquele que vive na Europa) uma tendência para o disparate. É o disparate dos ataques terroristas, levado pelo desespero do desemprego e da não integração. É o disparate dos votos, com as votações disparatadas nos partidos alternativos que distorcem a realidade politica vigente. E é ainda o disparate da contestação pela contestação que prejudica o normal desenvolvimento social e económico dos países europeus, confrontados com a concorrencia asiática e americana, que mais tarde ou mais cedo destruirá o pouco que a Europa ainda representa.

                        ALBINO ZEFERINO                                                      22/12/2015

domingo, 13 de dezembro de 2015

VENI, VIDI, VINCI


          Cheguei, vi e venci. Tal como Julio César, o imperador romano, Marcelo chegou, viu e venceu. Chegou já há tempos, pois esta será a sua ultima oportunidade de ficar definitivamente na História deste pobre país, onde padrinho, pai e amigos estão. Depois dos falhanços do táxi, do mergulho no Tejo e da presidencia do partido, desta vez parece que vai mesmo ser. Marcelo não será um novo Marcello, nem sequer um novo Sá Carneiro que ele tanto idolatrava. Será mais do que eles. Será o salvador da Pátria que ele tanto ambicionava ser.
          Desde pequenino que Marcelo Rebelo de Sousa esteve predestinado a ser alguem. Filho de um segundo e afilhado de um primeiro, que nunca conseguiram verdadeiramente afirmar-se na politica (ao contrário do seu mentor), o pequeno Marcelo Nuno nasceu para ela, no seio dela e foi preparado para singrar nela. Desde o mesmo nome, à mesma Faculdade e à mesma carreira profissional (a de catedrático), Marcelo Nuno seguiu as pisadas de Caetano no esteio de Salazar e foi conduzido pelo pai Baltazar nos meandros da pequena politica de então. Respondeu bem e cedo, pois ainda liceal, já se destacava entre os melhores, mas foi na Faculdade de Direito, ao Campo Grande, onde ele se afirmou como a grande esperança do regime e grande pedra angular da sua perenidade. Arrancado o 19 (mesma nota de formatura do seu farol) foi doutorado antes dos 29 anos e catedrático aos 30. Entretanto, aproveita o 25 de Abril para romper definitivamente as grilhetas onde o Estado Novo o agrilhoara e consegue com mestria e manha recuperar a sua Faculdade das garras dos esquerdistas do Barroso que dela se tinham vilmente apossado. Recupera o prestigio da sua Escola ao mesmo tempo que se ensaia na nova politica através de Balsemão, que o emprega no Expresso. Descobre assim o meio através do qual vai vencer. Com a morte de Sá Carneiro e a inesperada ascensão de Balsemão à chefia do partido e do governo, Marcelo vai a ministro e sobe rapidamente e sem esforço ao topo da hierarquia.
          Começa aqui porem a sua desdita. A sua inata propensão para a intriga aliada a uma rara inteligencia e a uma rapidez de raciocinio estonteantes, cedo lhe destapam uma personalidade irrequieta própria da verdura dos anos. As suas constantes e repetidas manifestações de insensatez exploradas por uma comunicaçaõ social em aprendizagem e ciosa de escandalos, em nada ajudam à formação da imagem confiante e austera que um politico com ambições deve exibir. Marcelo resolve combater a imagem negativa que começa a pressentir através das mesmas áreas. A sua passagem pelo Independente de Portas não lhe trouxe porem qualquer vantagem. E as tentativas de vir a ser presidente da Camara de Lisboa e de primeiro ministro depois, através do PSD, tão pouco. Ficou no limbo e só mais tarde consegue reconstruir uma imagem de seriedade e de confiança pela mão de Judite de Sousa. As sondagens aí estão para o demonstrar.
          Só um cataclismo impedirá Marcelo de vir a ser o próximo Presidente desta republica cada vez mais pobre e miserável. Com a ajuda de Maria de Belém, que se interpôs no caminho arrojado mas certeiro que Sampaio da Nóvoa corajosamente empreendera, nada nem ninguem travará o caminho aberto que se apresenta a Marcelo, em Janeiro próximo. Será logo na primeira volta que os tugas, fartos de tanta consulta popular e enganosos resultados, apostarão no professor decidido, de resposta na ponta da lingua e inteligencia mordaz para seu primeiro representante publico.
          Marcelo tem apenas dois motivos que o levam a ser presidente. Um é condição do outro e depende dele. Marcelo quer fazer aquilo que Cavaco tem vindo a pregar sem conseguir ser ouvido para, depois disso, fazer aquilo que ninguem prega mas que todos (ou talvez só a maioria) desejam e de que dependerá a normalização do regime nascido em 1974. O primeiro é proporcionar uma coligação governativa estável ao centro suficientemente ampla que permita uma revisão constitucional definitiva que possa encaminhar Portugal para a senda do progresso económico e do desenvolvimento social consistentes com as regras europeias e as imposições comunitárias. Só assim Marcelo Rebelo de Sousa ficará na História de Portugal como deseja e se vem preparando desde jovem.

                             ALBINO ZEFERINO                              13/12/2015
       
       

domingo, 22 de novembro de 2015

O FUTURO GOVERNO DO PS


          Já praticamente adquirida a ideia de que Cavaco vai dar posse constrangidamente a Costa como futuro PM deste país confundido e politicamente original, o futuro lider já se apressou a declarar que "vai governar à direita" para descanso daqueles que receiam um retrocesso (garantido a meu ver) da recuperação económica, embora ainda ténue, que Passos e Portas esforçadamente conseguiram em 4 anos de governação, socialmente contestada e politicamente polémica.
          Mas como será possivel governar à direita com o apoio dos partidos contestatários duma politica reformista "arrancada" laboriosamente às "garras" duma Constituição esquerdizante e socialmente contestada com greves politicas permanentes e declarações publicas inflamadas? Os acordos assinados pelo PS com o PC e com o BE não deixam qualquer duvida quanto à direcção que os coisas vão tomar. Grosso modo, vamos retroceder no esforçado caminho traçado pelo governo reformista de Passos, pois não vejo como será possivel manter o limite de 3% no défice imposto pelo programa de desenvolvimento sustentado que a Europa espera de nós.
          Efectivamente, basta passar os olhos pelos acordos para constatar que os compromissos a que o PS se submeteu, traduzem, todos eles, um acréscimo da despesa publica e uma redução da receita. Senão vejamos: O PS obrigou-se a descongelar as pensões, a repor os feriados, a acabar com os recibos verdes, a por fim aos estágios, a acabar com os precários, a extinguir a mobilidade funcional, a repor a contratação colectiva na Função Publica, a devolver os complementos de reforma, a não reduzir a TSU para os patrões, a reduzir o IVA na restauração, a aumentar o salário minimo, a repor a clausula de salvaguarda no IMI, a aumentar os escalões no IRS, a proteger os titulares de casa própria de penhoras e execuções fiscais, a aumentar o numero de trabalhadores no SNS, a reforçar o apoio social escolar, a reduzir o numero de alunos por turma, a dar emprego automático aos investigadores doutorados, a reverter as privatizações e as concessões das empresas de transporte publico e a acabar com as privatizações. Como se pode constatar, tudo medidas penalizadoras do Orçamento do Estado.
          A apregoada governaçao à direita por parte de Costa não passa assim de mais uma balela lançada através da comunicação social, impossivel de concretizar e apenas destinada a enganar os incautos e assustados cidadãos deste desgraçado país à beira mar plantado, numa tentativa enganadora de se preservar no poder com o apoio dos contestatários ao regime europeista e ocidental que Portugal escolheu vai para 25 anos. O putativo novo chefe do governo pensa que poderá, com habilidades destas, jogando parlamentarmente, quer à esquerda, quer à direita, aguentar um relaxamento da austeridade ao mesmo tempo que satisfaz os compromissos a que o governo portugues se obrigou ao entrar na zona euro da UE. Impossivel, direi eu. Não podemos ter chuva no nabal e sol na eira ao mesmo tempo.
          O desfecho de tal politica será uma queda do governo PS a curto prazo obrigando a novas eleições clarificadoras sobre qual o destino que os portugueses preferem: um governo tipo Sirysa sem rumo nem direcção, ou a continuação duma recuperação sustentada da economia que conduza Portugal a um estádio superior de sustentação capaz de ombrear com os seus parceiros mais desenvolvidos da UE. Tudo isto porem daqui a um ano, que será o tempo necessário para as comadres de hoje se zangarem umas com as outras e o novo Presidente se convencer de que, sem novas eleições, nada poderá ser feito de positivo para o país. Uma perda de tempo, enfim! Costa será sem duvida o arauto da desgraça que nos tocará durante o próximo ano. A ver vamos!

                        ALBINO ZEFERINO                                                       22/11/2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O SEMI-PRESIDENCIALISMO


          Conceito inspirado em Salazar, o semi-presidencialismo portugues tem servido de desculpa torpe para enganar os luso-portugueses (os da boa cêpa) dando um nome bonito e vistoso (como os tais da boa cêpa gostam) a uma fraude inventada por um inteligente preverso para se manter no poder por quase meio seculo. Consistia a coisa (a de 1933) em dar todos os poderes ao Presidente (que era escolhido pelo próprio chefe do regime) desde que ele garantisse a permanencia no poder do autor da marosca. Uma espécie de pescadinha de rabo na boca, tão do agrado dos luso-portugueses. A coisa funcionou bem (salvo quando Delgado e a sua onda quase viraram o feitiço contra o feiticero em 1958) até ao 25 de abril. E talvez por isso os ilustres e patetas constitucionalistas da época (Marcelo incluido) resolveram baptizar o novo regime com o mesmo epiteto, julgando que o nome lhes traria o descanso que trouxera ao regime do 28 de maio. Mal preparados (ou quiçá bem iludidos) os constitucionalistas abrileiros consagraram um sistema dubio, pouco claro e confuso, que deixa nas mãos de uma só pessoa (o unico orgão unipessoal desta republica de bananas) a resolução de casos extremos, onde, nem governo, nem parlamento, nem eleições, foram capazes de resolver, sem lhe dar porem os correspondentes poderes para isso.
          E é essa a situação em que hoje nos encontramos. Cavaco quereria dar uma solução ao caso, mas a famigerada Constituição não lhe permite ir por esse lado. Vê-se assim entalado nas contradições constitucionais, não lhe restando mais do que duas soluções contraditórias: dar posse a um governo nascido com truques (portanto morto à partida) ou manter o governo que nomeou, agora em gestão, enfraquecido pelo chumbo parlamentar. Qualquer uma das duas soluções que Cavaco escolha, não são boas. Se for o governo de Costa, os comunas se encarregarão de lhe tirar o tapete na primeira oportunidade (que poderá ser já, quando da votação do Orçamento para 2016) derrubando-o. Se for mantendo Passos chumbado, então a direita ficará eternamente na oposição, logo que o novo presidente resolva convocar eleições, que consagrarão em glória o vitimizado Costa como o novo salvador da Pátria assanhada pelos vis credores (contra os canhões marchar, marchar!).
          Se a constituição de 1976 não estivesse tão aferrolhada nos seus principios dogmáticos, nem tão blindada contra os "males" do capitalismo (hoje europeu e dominante) seria possivel ultrapassar, sem qualquer ansiedade ou angustia, esta crise politica criada por umas eleições desastradas que apenas indicaram o estreito caminho da coligação ao centro, impossivel de concretizar pela intransigencia e casmurrice dos seus lideres partidários.  Em qualquer outro país europeu esta questão ter-se-ia resolvido com o imediato despejo dos dois lideres irreconciliáveis e teimosos e a convocação de novas eleições clarificadoras. Mas em Portugal, enredado numa Constituição matarruana e mal-enjorcada, nada disto é possivel. E assim, cantando e rindo, lá vamos alegres marchando contra os canhões que nos hão-de espatifar.

                              ALBINO ZEFERINO                                                         20/11/2015

terça-feira, 17 de novembro de 2015

OS REFUGIADOS E O TERRORISMO


          Após os terriveis atentados terroristas e mortiferos que assolam regularmente as mais importantes cidades europeias ficamos a saber que a sua origem é sempre de produto caseiro. Ou seja, os terroristas são sempre nacionais europeus ou titulares de passaporte europeu. Ora isto leva sempre a concluir que o terrorismo nasce dos imigrantes e ,de entre estes, dos imigrantes de credo muçulmano, norte-africanos ou oriundos dos países árabes, na maioria dos casos. Sem desmentir o evidente, resta analisar o porquê.
          A maioria da imigração que veio para a Europa é originária de antigas colónias inglesas e francesas (Médio e Extremo Oriente e Norte de África respectivamente), todos eles de credo muçulmano.
Como se sabe, os muçulmanos têm regras e principios diferentes dos seguidos na Europa inspirados em Cristo, uns baseados no Corão e os outros na Biblia, tornando assim dificil uma integração plena e duradoura nos costumes, tradições e hábitos dos países de acolhimento. Ao casarem entre si, os imigrantes muçulmanos produzem muçulmanos franceses, ingleses, belgas, holandeses, alemães ou suecos.
          Em periodos de crise económica como hoje se vive na Europa, sem perspectivas de futuro e sem saídas profissionais, os jovens europeus (muçulmanos ou cristãos) tendem a procurar outras alternativas de vida, que por vezes passam por fugas para a frente, nem sempre relflectidas nem ponderadas. Por outro lado, a dificuldade de integração sentida pelas primeiras gerações de refugiados ou de imigrantes é vista pelos seus descendentes (já detentores automáticos dos direitos que seus pais só conseguiram lutando pela vida) como um capitis diminucio relativamente aos indigenas de origem cristã. A sua reacção é imediata e brutal: consideram-se seus inimigos e lutam contra eles. Se porventura surge um pretexto organizado, rentável e que lhes ocupe o tempo inutil e o espirito rebelde e vingativo, não hesitam. Após breve lavagem de cérebro para lhes incutirem as regras básicas do jihadismo e lhes ensinarem a puxar pelo gatilho ou a armar uma bomba, estão prontos para fazer os estragos possiveis nos próprios meios onde vivem e onde nasceram.
          Haverá pois que olhar para trás para encontrar a explicação para um fenómeno aterrador e malsão. Se os actuais países árabes não tivessem sido colonizados e se os seus naturais não tivessem que ter ido buscar meios de subsistencia para as terras dos seus antigos colonizadores, não existiriam terroristas que se fizessem explodir ou que brincassem ao tiro ao alvo contra outros seres humanos nessas terras que são hoje tambem as suas, convencidos de que estão a fazer o bem servindo de agentes de bandidos sequiosos de poder e de vingança.
          Esta é a terceira guerra que o planeta sofre num século. Deus queira que não se torne na hecatombe em que as duas anteriores se tornaram.

             ALBINO ZEFERINO                                                    17/11/2015
         
         

terça-feira, 10 de novembro de 2015

A REPUBLICA VAI NUA


          Parafraseando o velho epíteto de "o Rei vai nu" para significar que alguem chamou a atenção para uma realidade que todos viam mas que fingiam não ver, eu diria que a Republica em Portugal vai nua. Vai nua porque a despiram de todas as virtudes que uma republica deve ter: honestidade, principios, entrega, justiça e equidade. Foram 40 anos de roubalheiras, aproveitamentos e desonestidades de toda a ordem que condenaram o regime que se arrastou pelo mesmo tempo que durou o vilipendiado salazarismo. 40 anos de depravação, de devassidão, de imoralidade e de licenciosidade.
          Esta republica das bananas (ou dos bananas) em que o velho Portugal se tornou está a dar as últimas. E tal como começou vai acabar. Começou com a entrega do poder conquistado sem esforço aos comunas e vai acabar entregando de novo o poder aos comunas, mas desta vez conquistado com manha e aleivosia. Mas não creio que seja através do Cavaco que isso aconteça. Cavaco é demasiado casmurro e orgulhoso para conceder que se enganou ao dar posse a Passos há uma escassa semana atrás. Os truques do Costa bem podem convencer os incautos e os mal-intencionados, mas não convencem o Cavaco que ninguem vira. Pois se nem o aldrabão do Sócrates o conseguiu, seria o chico-esperto do Costa que o iria conseguir? A troco de quê? Duma saida airosa da cena? Não será preferivel (mal por mal) que Cavaco fique na história com o epitáfio de intransigente, do que como aquele que entregou o ouro ao bandido? Esquecem-se de que o homem é algarvio.
          Manhoso como é, Cavaco vai deixar passar o tempo em consultas e mais consultas até que chegue o momento em que, já não valendo a pena continuar com mais consultas, lhe parecerá preferivel deixar ao seu sucessor (seja lá ele quem for) o ónus de convocar novas eleições clarificadoras. Pois se foi assim com esta manha que o tipo se elevou à grandeza em 1985, porque não irá usar a mesma estratégia na saída?
          Esperemos porém que a Republica, ficando assim tanto tempo nua, não se venha a constipar.

                   ALBINO ZEFERINO                                                  10/11/2015

domingo, 8 de novembro de 2015

O GOVERNO IRREAL


          Tal como o país, o próximo governo será um governo fundamentado na irrealidade. Tal como Portugal, que se julga independente e soberano, o próximo governo de António Costa pensa que representará a maioria da vontade dos portugueses. Nem uma nem outra destas coisas são verdades. Dsde que a troika para cá veio (e não saiu) que Portugal está entregue aos bichos. A intervenção internacional teve essa pequena consequencia. Desde 2011 que não somos livres de decidir por nós próprios o nosso próprio destino. Quem ainda não tenha dado por isso que olhe para a Grécia. Muita sorte tivemos emestar aqui coladinhos à Espanha que - essa sim - preocupa sobremeneira os europeus pelos reflexos negativos sobre o futuro da UE e do euro que eventuais aventuras esquerdistas e desenquadradas,produto das próximas eleiçõesde 20 de dezembro próximo,possam vir a ter lugar. Estivessemos nós no lugar da Eslováquia ou da Croácia e o panorama seria outro. Entalados entre a Espanha e o mar somos para os outros apenas um prolongamento histórico daquele conglomerado de Nações que se uniram politicamente sob Carlos Magno na Idade Média.
          O desfecho destas nossas eleições, que vai resultar neste governo do PS apoiado pela faixa mais intransigente e inconformada da população portuguesa, relecte apenas uma coisa. A persistência e a habilidade (perversa acrescentaria eu) dum homem inteligente mas malvado que conseguiu atingir os seus objectivos contra tudo e contra todos enganando o estupefacto e saloio Zé Povinho encabeçado pelo maior e mais saloio de todos eles: o famigerdo Cavaco que junto com a sua Maria tem pontificado neste país nos ultimos30 anos.
          Tendo começado nestas lides da politica muito cedo (já na barriga da mãe Pala ele escutava as discussões esotéricas entre a malta da esquerda na época) começou por ser ministro de Guterres aos trinta e tal anos e antevendo a queda espalhafatosa de Sócrates fez um desvio táctico do governo onde pontificava para a Câmara de Lisboa onde ensaiou uma experienciade coligação com a esquerda. Inchado pela sua prosápia logo apeou indecente e impiedosamente o jovem Seguro da liderança do partido convencido que destronava Passos à primeira. Só que não conseguiu e teve que esperar os4 anos da praxe para se impor. Mas mesmo assim a malta não lhe deu a vitória nas eleições. Apenas lhedeu licença para travar os excessos juvenis de Passos que incomodavam muita gente. Assustado o homem porem não desistiu e com o apoio dos marginais da banda esquerda conseguiu dar a volta à situação e de derrotado passou a vencedor com o beneplácito do presidente que dizia ter tudo previsto e do Zé Povinho que estupefacto assiste impávido a esta cena própria dum teatro trágico-cómico.
          Hoje em dia quem manda na Europa é a classe média e os países mais atrasados (cuja classe média ainda é neófita) ainda pensam ser possivel inverter os dados da questão. Aos países mais atrasados que ousem desafiar o poder instalado das classes médias com resultados eleitorais estapafurdios que dão maiorias incómodas quer à esquerda quer à direita do espectro politico,a UE saberá conduzi-los ao redil da mediania através de troikas que lhes imponham as condutas governativas e do manejo subtil mas eficaz das condiçoes finanaceiras a que estão submetidos. Costa não aguentará muito tempocom o apoio da esquerda ressabiada e ainda o iremos ver vir pedir o apoio ao meio da tabela quando já lá não estiver a jogar o seu adversário de estimação.
          A ver vamos!

                                    ALBINO ZEFERINO (em dia de reflexão avançada)             8/11/2015
         
       
         

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

NÃO SE ILUDAM


          Deixemo-nos de fitas! O Costa não desistirá de tentar ser primeiro ministro à força. Pois se o aldrabão do Sócrates conseguiu, não há-de o preto conseguir? A enorme rasteira que o PS do Costa passou ao PSD e ao país inteiro, com a colaboração das gajas e dos gays e a do velho e dos seus ressabiados, ainda mexe. Não se iludam com a constatação da aldrabice dos acordos impossiveis, pois o chumbo do Passos está decidido. "Com a nossa colaboração a direita não contunuará no poder", disse, não me lembro onde nem quando, um dos meninos do Jerónimo. Vi e ouvi eu mesmo. Ninguem me contou. O que se passará depois, logo se verá.
          Assim sendo, há que contar com um governo de gestão de terça feira em diante. Dizem-me vozes cautelosas que Cavaco está à espera do chumbo do governo para dar o golpe do rabo de raia, que consistiria (segundo essas cautelosas fontes) no seguinte: Constatando que a sua imagem publica está pelas ruas da amargura, Cavaco prepara o golpe da sua vida para, qual prestigitador de feira, limpar a sua imagem baça e incómoda, numa saida triunfal para o hall da fama lusitana, ao lado de Eusébio e de Amália. Como o fará?
          Voltando a recorrer às vozes cautelosas que me sussurram ao ouvido, com a sua resignação,o homem mata dois (eu diria mesmo tres) coelhos duma só cajadada. Logo após o chumbo parlamentar do governo, o homem apresenta a sua demissão na televisão (como fez o Spínola, depois do 28 de Setembro de 1974, lembram-se?) explicando ao estupefacto e assustado Zé Povinho que sai porque não quer deixar o seu nome ligado à falência de Portugal, dando posse a um governo de esquerda que nem Soares nem Sampaio tiveram a coragem de fazer. Assim mata Costa que será responsabilizado pelos seus pares (e não só) pela desgraça em que fez cair o país.
          Mas não só mata Costa. Mata Passos, que vai deixar em lume brando até que o novo presidente decida o que fazer com ele. Com o PSD desfeito pela espera, Passos é trucidado pelos barões laranjas e substiuido antes das novas eleições. E vão dois. Forçando a antecipação das presidenciais com a sua demissão, Cavaco mata ainda Marcelo (ou pelo menos compromete-lhe o passeio eleitoral) deixando-o sem tempo para a campanha e sem partido para o apoio.
          Como se vê, a procissão ainda vai no adro e ainda temos muito que penar até que a missa acabe. Como ficará a igreja depois disto tudo é que já não sei. Talvez as tais vozes cautelosas que me sussurram ao ouvido se descaiam outra vez e me dêm um palpite.

                        ALBINO ZEFERINO                                     5/11/2015