domingo, 7 de setembro de 2014

O REGRESSO DO REGABOFE


          As últimas declarações do presidente do banco Central europeu cairam como um maná do céu sobre os pobres espíritos levianos dos perdulários lusitanos, que julgaram tratar-se do tal milagre de Fátima que sempre os protege de todos os males do mundo e que muitos aguardam com ansiedade bacoca. Pensa esta gente que, a partir de agora, voltarão os bons tempos do Sócrates, onde não havia restrições quanto aos gastos nem austeridades para ninguem.  Desenganem-se porém esses pobres de espírito que milagres não existem, nem protectores contra os males do mundo tambem não.
          O que realmente procupa Draghi e os seus europeistas é a saude do euro, que tem estado sob fogo cerrado, quer de americanos, quer de asiáticos, que aplaudem de pé as vicissitudes que a ausencia de politicas comuns europeias têm provocado nas economias dos seus membros enquanto países soberanos, ou seja, cada um faz o que quer, quando quer e como quer. Ora é esta a circunstancia que proporciona as crises que se propagam de país para país. Enquanto os países europeus não se convencerem de que só unidos (ou seja, obedecendo às mesmas regras ao mesmo tempo) terão capacidade para enfrentar os desafios da globalização, a Europa não sairá da crise nem se fortalecerá. Todos estão de acordo que é com o crescimento económico que se combate o flagelo do desemprego e da exclusão social. O que ainda não interiorizaram é que, sem sacrificios, isto não é possivel. Em todo o lado se vêm greves e reivindicações sectorias contra as medidas de austeridade que são indispensáveis para pôr a máquina europeia em velocidade de cruzeiro. Sem uma consciencialização colectiva e profunda deste fenómeno nada se poderá fazer, nem em Portugal, nem nos outros países europeus mais atrasados.
          Foi esta a razão pela qual Draghi resolveu dar um empurrão valente (como nunca ninguem ousara) ao euro, para lançar definitivamente a união bancária europeia que será o esteio dum aprofundamento integrador europeu. O anuncio de que o BCE irá passar a comprar divida publica dos Estados mais carenciados, não significa mais do que um maior controle das contas dos bancos e portanto das economias nacionais. A austeridade terá que continuar por muitos e bons anos até que todos os países europeus marchem ao mesmo ritmo e com a mesma passada. De contrário a UE não faz sentido, nem é util para ninguem.
          Tanto faz quem esteja no poder. Alguem tem que lá estar. Mas quanto menos poder tiver para fazer asneiras melhor. Quanto mais soberania for transferida para as entidades europeias (onde os nossos devem ter cada vez mais capacidade de intervenção - viva Barroso, viva Constâncio) melhor para o nosso desenvolvimento. Enquanto não nos virmos livres dos caquéticos juizes que condicionam e limitam o nosso desenvolvimento com  pretextos pueris e desenquadrados da realidade em que hoje vivemos, bem como deste desassossego popular de reivindicar eleições a toda a hora só porque não gostamos da cara do primeiro-ministro, nunca mais nos endireitamos nem deixaremos de estar cada vez mais na cauda da Europa. Hoje já ficamos contentes se superamos a Eslováquia ou a Roménia. Longe vai o tempo em que nos comparávamos com a Republica checa e com a Hungria. Qualquer dia só a Albânia ou a Bósnia-herzegovina estarão ao nosso nível.

                         ALBINO ZEFERINO                   7/9/ 2014

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