quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

AINDA O ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO

Ratificado pelo chefe do Estado entrou em vigor há 
uma semana o orçamento de Estado para 2013. Apesar da violencia fiscal 
que reflecte e das reacções corporativas que suscita e que a imprensa 
livre fez ecoar estrepitosamente, muitas pessoas respiraram de alivio 
receosas de que um pedido presidencial ao Tribunal constitucional para 
uma apreciação preventiva da sua constitucionalidade causasse um 
terramoto na precária situação financeira em que vivemos. Cavaco 
porem, fazendo jus ao seu conhecido caráter salomónico, resolveu 
prudentemente solicitar ao tribunal uma apreciação constitucional 
sucessiva, não impedindo assim a entrada em vigor na data prevista do 
famigerado documento. Mas afinal porque razão o orçamento é causa de 
instabilidade politica quando deverá pelo contrário constituir um 
instrumento de trabalho governativo que assegure estabilidade à gestão 
da coisa publica? 
Em Portugal as coisas nunca são o que parecem e 
parecem sempre aquilo que não são. De instrumental o orçamento do 
Estado passou a ser um objecto essencial e substancial da governação 
em Portugal, como se sem ele o país parasse ou morresse de inanição. É 
através do orçamento que o governo define as suas opções estratégicas 
e marca o ritmo do desenvolvimento do país. Dá-se porem o caso de que 
Portugal está intervencionado e que é o programa da troika que define 
a acção governativa. O governo limita-se a dar (ou não) cumprimento às 
determinações troikianas sob pena de lhe ser cortado o fluxo 
financeiro necessário para pagar salários e fazer as despesas 
necessárias para a malta sobreviver (pagar subsidios, manter serviços 
publicos a funcionar ou pagar pensões). O orçamento serve em Portugal 
apenas para fixar o ritmo da execução das reformas exigidas pela 
troika. Tendo aderido ao tratado orçamental (com uma rapidez 
estonteante) o governo portugues já não precisa do orçamento para 
definir as suas opções. Até porque as opções já não são suas. Tem é 
que as executar, fingindo que negoceia, que cede, que transige ou 
altera em função das negociações que mantém com os sindicatos e com as 
oposições. De facto, o que o governo faz é tentar executar as reformas 
exigidas pela troika, sem grandes reacções nem obstáculos que 
perturbem o normal funcionamento das instituições. Tudo o resto é 
paisagem. 
Para que os portugueses (nem o seu governo) não se 
esqueçam do que ainda falta ser feito, o FMI publicou, já este ano de 
2013, o relatório sobre Portugal, onde afirma claramente a necessidade 
de diminuir as despesas publicas nos sectores mais gastadores do 
Estado: ensino (despedimento de professores em excesso, concentração 
de alunos e subida dos níveis de exigencia pedagógica, reorganização 
dos programas de ensino no sentido da poupança de recursos,etc.), 
funcionalismo publico (reorganização administrativa do Estado, redução 
drástica dos excedentários,abaixamento das retribuições, aumento do 
nível profissional dos seus agentes, etc.) e segurança social (redução 
dos beneficiários de apoio social, cortes nas pensões, racionalização 
dos beneficios sociais, etc.) entre outros. Não se pense que a 
recuperação do país pode ser feita de outro modo. Quem assim julga ou 
é mentiroso ou ignorante. 

ALBINO ZEFERINO 
10/1/2013 

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