domingo, 1 de junho de 2014

O DESESPERO SOCIALISTA


          A vitória amarga do PS nas eleições europeias já está a trazer para a ribalta a verdadeira natureza mesquinha e oportunista daqueles que afinal o que sempre quiseram foi o poleiro mediático e luzidio das mordomias que a politica portuguesa traz aos inuteis que nada mais sabem fazer do que papaguear lugares-comuns e patacoadas incongruentes neste país de banhas da cobra e de vendedores de ilusões.
          Aproximando-se o prazo de validade deste esforçado governo de Passos e de Portas e na falta de alternativa credível que o PS do boquinhas Seguro não consegue personificar, voltam a aparecer os fantasmas dos socialistas portugueses, apavorados com a possibilidade de evicção definitiva do panorama politico do partido criado já há mais de 40 anos pelo contestatário Soares e pelos seus capangas em Bad Neuereifel, como sucedeu na Grécia com o PASOK e em Itália com o partido socialista italiano e está em vias de acontecer em Espanha com o PSOE e em França com o PSF.
          Todos se voltam para o Costa - espécie de D.Sebastião das esquerdas, que ressurge das trevas de cada vez que as nuvens da esperança socialista se adensam - como que implorando para a magnânimidade daquele que se finge desinteressado daquilo que verdadeiramente aspira e que é mandar em Portugal. À terceira é de vez, como recordam com boçalidade os apoiantes do federador das esquerdas portuguesas, urlando a sua fé no único capaz de derrotar a direita que parece renascer de cada acto eleitoral que se vai realizando.
          Ultrapassado à vista da meta, o pobre Seguro já se contenta em partilhar o poder, mas Costa, tomado de fervor democrático, apela a votos entre os socialistas, certo de que assim se verá definitivamente livre do adversário, simples parentesis entre governações socialistas. Só que Costa se esquece que o aparelho partidário está com Seguro, pacientemente tecido nestes anos de duras penas e dificilmente desmontável em pouco tempo. Costa tem a seu favor a intelectualidade, os urbanos, os que veem a "quadratura do circulo" e se distraem com as locubrações televisivas. Seguro tem as velhotas que veem em Seguro o filho ou o neto que gostariam de ter tido, ou as gajas mais novas o marido que não têm. Quem tem razão? Vencerá a ambição do Costa com a SIC e o Expresso por detrás, ou as velhinhas do Seguro que o apalpam e o beijam repenicadamente nas suas constantes visitas ao país real? Conseguirá Costa efectivamente congregar a onda socialista que a contestação ao governo da actual coligação fez nascer? Ou será Seguro quem se manterá na corrida que dentro de um ano alçará os socialistas de novo ao poder?

                         ALBINO ZEFERINO                                                1/6/2014

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