segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A DESILUSÃO

Os portugueses andam desiludidos. Uns porque 
consideram que esta crise que sobre eles caiu como um raio está a 
destruir tudo aquilo pelo que ansiavam os seus pais e que a revolução 
lhes trouxe duma assentada e sem esforço numa fria madrugada de abril. 
Agora será mais doloroso para eles voltar para trás ao fim de todos 
estes anos de falsas alegrias e de amanhãs que cantam. Outros, 
habituados ao doce remanso da bananeira plantada pelos seus pais e de 
cuja sombra foram abruptamente afastados pelo povo ensandecido, 
anseiam por vingança clamando uma maior determinação e vontade no 
retorno a uma situação que eles julgam possivel mas que está morta e 
enterrada há muito tempo. 
O que está em causa não é porém um regresso a um 
passado que (com as suas virtudes e glórias e as suas injustiças e 
arbitrariedades) já fez história, mas sim a uma modernização do 
sistema politico, social e económico portugues mais de acordo com os 
sistemas democráticos vigentes nos outros países comunitários. Até 
agora, a insignificância de Portugal no contexto da Comunidade 
europeia escondeu as incongruências que os excessos da revolução de 
abril trouxeram ao país, não mostrando contudo qualquer relevância 
para o processo integrador europeu. 
Agora, porém, que uma crise profunda se abateu 
sobre a Europa que está exigindo esforços excepcionais na tentativa da 
sua resolução, todas as incongruências económicas e sociais 
verificadas nos países sob intervenção financeira (ou seja, gozando de 
regimes financeiros excepcionalmente mais favoráveis) ficaram à vista 
de todos e estão a ser objecto de reformas saneadoras fortemente 
escrutinadas pelos que passaram a sustentar os portugueses. Não há que 
ter ilusões. Sem as reformas profundas que o memorando da troika 
obriga o governo portugues a fazer não será possivel sair deste buraco 
profundo onde Portugal se encontra. Só depois de saneadas as contas 
(custe o que custar) e revisto o ordenamento juridico sobre o qual 
assenta o regime politico-social portugues no sentido de o adaptar aos 
outros regimes dos países com os quais Portugal pretende integrar-se, 
é que será possivel pôr em marcha quaisquer programas de crescimento 
económico e de aumento da empregabilidade em Portugal. Pensar que, sem 
um prévio saneamento das finaças publicas, qualquer plano 
desenvolvimentista terá sucesso é pura especulação demagógica. E 
quanto mais depressa for feito, mais facilmente os portugueses sairão 
da crise e menos provações terão que suportar. 

ALBINO ZEFERINO 4/8/2012 

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