quarta-feira, 13 de julho de 2011

SERÁ QUE PORTUGAL CHEGOU AO LIMITE?

Estaremos a chegar ao fim?  Dependerá do que consideremos o fim. Se por fim se entender o fim do país como sociedade organizada, independente e criadora de riqueza e bem-estar para os seus cidadãos, não creio. Com mais de 800 anos de existência, Portugal já passou por grandes crises das quais saiu melhor ou pior sem que nunca tenhamos perdido a nossa identidade como país e como povo. Nem sequer durante os 60 anos de domínio espanhol durante os quais nunca perdemos a nossa identidade própria. Foi de resto por isso que em 1 de dezembro de 1640 recuperámos a nossa independencia política e a mantivemos incólume desde então.  Se porém entendermos o fim à luz do regime que actualmente vigora em Portugal, então já não estarei tão certo de que não tenhamos atingido o nosso limite.
            A recente descoberta de mais um enorme buraco orçamental escondido pelo anterior governo na amálgama de interesses confusos e desordenados como pode ser classificada a anterior gestão governativa, veio levantar de novo a questão, que muitos já se põem, da sobrevivência do país dentro das apertadas regras em que actualmente se move. Se a indispensável ajuda financeira internacional está dependente do cumprimento rigoroso das regras de conduta traçadas no memorando da «troika», o aparecimento imprevisto de mais um substancial deslize orçamental vai concerteza alterar os pressupostos nos quais assentou a elaboração do memorando e assim comprometer as metas traçadas para a nossa salvação. Foi a meu ver isto mesmo que determinou a recente classificação negativa que a agência de notação «Moody´s» atribuiu a Portugal. 
            A questão da sobrevivência de Portugal como Estado organizado, membro da União europeia e da eurozona, dependerá da capacidade que consigamos demonstrar aos nossos parceiros e ao Mundo em continuarmos a viver em democracia, dentro de regras de convivencia assentes na liberdade e na igualdade de oportunidades, no cumprimento dos direitos humanos e sociais, sem subterfugios iníquos e falsas verdades, sem esquemas ardilosos e manhas interesseiras. Enquanto suscitarmos nos outros a desconfiança nas nossas capacidades não pensemos em levantar cabeça. Quanto mais tempo demorarmos e menos determinação demonstrarmos em cumprir as regras que, por incapacidade nossa (não nos esqueçamos disto), nos foram impostas, mais próximo estaremos dos nossos limites como Estado auto-determinado. A ajuda externa só existirá enquanto a permanência de Portugal no clube europeu fôr útil aos europeus. Por essa razão é que nunca haverá apoio sem contrapartidas. Não estejamos à espera de soluções milagrosas, definitivas e duradouras que não dependam de nós, do nosso esforço e do nosso engenho. Não são os europeus que não manifestam vontade suficiente para nos ajudar . Somos nós que não nos ajudamos a nós próprios.
 
                                                     ALBINO ZEFERINO  13/7/2011  

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