sábado, 23 de março de 2013

NOVA VIDA OU VIDA NOVA?


          Agora que o governo parece querer desistir de governar, ameaçando veladamente ir-se embora caso o famigerado (e excessivamente mediatizado) Tribunal Constitucional resolva, do alto da pomposa  importancia que os ignorantes jornalistas lhe dão, dar razão aos detractores da austeridade na decisão que brevemente vai tomar sobre a inconstitucionalidade de algumas das determinações constantes do orçamento do Estado em vigor, parece que iremos ter vida nova. Ou será apenas nova vida?  Recordo (apenas pela analogia dos desabafos) quando Cavaco (o grande responsável por este "tiro no próprio pé") - então impante primeiro ministro desta republica das bananas europeia - reclamava para as oposições (que os jornais fizeram largo eco) pedindo alto e bom som: "deixem-me governar". Referia-se o excelentíssimo gajo aos obstáculos que já naquela altura os seus detractores lhe punham à frente quando ele, na sua ânsia reformadora, resolveu modificar o país e os seus paisanos, à sua maneira. Vimos o resultado dessa tarefa. Despedimento dele e do seu governo, eleições com resultados inexpressivos e começo de um período governativo deprimente e depressivo que levou o país ao estado de indigencia em que hoje se encontra.
          Será que iremos agora pelo mesmo caminho?  Arriscar-me-ia a prever que sim. Habituados a viver à custa de outros, os portugas de hoje não conseguem auto-regular-se face ao fim dos subsidios vindos de fora (não se percebia bem de onde, mas isso tambem não interessava) que os mantinham vivos e contentes e à necessidade de trabalharem no duro para sobreviverem e darem aos seus filhos condições de dignidade e os valores humanos inerentes. Uma vez o governo demissionário, Cavaco não terá outra alternativa do que convocar eleições antecipadas, cujo resultado só terá (na melhor das hipóteses) expressão governativa lá para o fim do ano. Até lá teremos governo de gestão (desculpa para interromper a necessária e urgente reestruturação do Estado), vacatio legis e finalmente governo novo (resultado de negociações à italiana) de coligação incerta (o CDS dá para tudo, embora sem o grau minimo de confiança indispensável para uma governação exigente). Como reagirão os nossos credores a tanta inconsciencia? Decerto muito mal. Veja-se o que se está a passar em Chipre e na Grécia (países intervencionados como nós) e em Itália e em Espanha (em depressão, mas ainda sem intervenção). Não nos admiremos de serem subitamente interrompidas as tranches que ainda faltam do total dos 78 mil milhões que nos prometeram de ajudas e que as exigencias no saneamento do Estado e das suas instituições surjam já sem as delicadezas de uma urbanidade própria de cavalheiros do mesmo clube. A situação do país piorará, as pessoas sofrerão ainda mais e a recuperação será mais dificil e mais lenta. Mas as esquerdas rejubilarão, virão cantar a Grandola para a rua (alguns dos nossos amigos os acompanharão) e Cavaco continuará em Belém com a sua Maria, de consciencia tranquila pelo serviço minimo rotineiro que executou qual policia de giro que acabada a ronda sem sobressaltos regressa ao quartel ignorando o ruido da turba ululante que se faz ouvir no fim da rua.

                   ALBINO ZEFERINO                                      23/3/2013  

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