quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O ANO DE TODOS OS PERIGOS

2012 será definitivamente um ano decisivo para a 
salvação de Portugal como nós o conhecemos desde há 900 anos. O 
desmantelamento do famoso Estado social saído do PREC de 1974 com a 
estrutura marxista que lhe foi imprimida por Cunhal y sus muchachos 
com a cobarde abstenção de Soares e dos seus amiguetes socialistas 
será o desafio que o governo Passos-Portas tem pela frente este ano 
que agora começou. Espartilhado pelo MOU da troika (mas que lhe serve 
de desculpa) o governo portugues vai ter uma tarefa muito dificil pela 
frente se quizer efectivamente deixar obra feita. Será um pouco como 
fazer omoletes sem ovos. Explico-me. Sob um pano de fundo democrático 
assente numa Constituição de base marxista, o governo vai ter que 
reformar pacificamente (isto é, sem reacções populares violentas) um 
regime que fomenta a subsidiodependencia nacional como forma de vida 
dos seus cidadãos para melhor os enquadrar politicamente. O sistema já 
vem de Salazar, apenas sofreu uma viragem ideológica em 1974. 
A isto soma-se o ambiente recessivo da economia 
portuguesa que, se por um lado serve de pretexto para a adopção de 
medidas reformistas (que de outro modo suscitariam uma imediata 
reacção popular) aceites resignadamente por uma população pouco 
esclarecida , por outro fomenta um desemprego crescente fruto da 
dispensa de trabalhadores excedentários criando bolsas de pobres cada 
vez mais carenciados que têm que ser apoiados pelo Estado. É este o 
paradoxo que o governo da troika (como já é conhecido) tem que 
enfrentar com a coragem do forcado e a determinação do obstinado. 
O risco que o governo corre é compartilhado por 
nós todos, saudosistas do PREC incluidos. Se não conseguirmos atingir 
as metas que nos foram impostas na sequência do nosso pedido de ajuda 
internacional (por falta de apoio popular ou por cedencia 
governamental aos numerosos lobis instalados) o destino de Portugal 
será negro. Não valerá a pena deitarmo-nos a adivinhar o nosso futuro 
ou a esconder a cabeça na areia tentando ignorá-lo. Basta olhar para o 
que está a acontecer à Grécia. Nisso tivemos sorte com a desgraça 
alheia. 
O governo já percebeu que é mais importante 
endireitar as finanças do que fazer andar a economia. Uma vez saneadas 
as contas, os amigos europeus acorrerão como o têm feito desde há 30 
anos. Mas para isso não devemos hostilizá-los como os gregos têm 
feito. Beware the propellors como dizem os marinheiros, sempre 
avisados contra as intempéries. 
Não há alternativa a Passos. Ou consegue superar 
o desafio e é o maior por muitos e bons anos. Ou cai e não haverá 
outro para tentar fazer o que ele não terá conseguido. Nessa altura 
sofreremos na pele as consequencias dos disparates cometidos durante o 
nosso passado recente e já não teremos sequer oportunidade para 
responsabilizar ninguem pelo que nos acontecerá. Todos seremos 
responsáveis. Os nossos filhos nos julgarão. E não serão meigos, 
asseguro-lhes. A geração à rasca já hoje tem muitos ressentimentos 
pelo que tem sofrido. Não sejamos masoquistas. 

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