sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

PORQUE RAZÃO NUNCA MAIS CHEGAMOS AO FIM DA CRISE?

Porque será que em Portugal não se consegue chegar ao fim da crise, se nos outros países do euro já há sinais (embora ténues, mas promissores) de que o pior da crise já lá vai? Basta acompanhar a situação das bolsas europeias para constatar este facto. Na Irlanda e até na Grécia já se começam a notar os efeitos da intervenção do FMI e sobretudo em  Espanha os indicadores económicos (excluindo naturalmente o sector da construcção, muito afectado pela crise do subprime) já indicam um crescimento sustentado da economia.  A razão parece residir no sistema político.
     O sistema político em Portugal foi desenhado de tal maneira que a formação de governos maioritários constitui mais uma excepção do que uma regra. Em períodos de crise profunda exigindo a tomada de medidas de reesturturação estrutural, só a existencia de governos maioritários capazes de impôr alterações estruturais à sociedade e não apenas sacrifícios cosméticos (embora dolorosos) dirigidos apenas a alguns cidadãos, serão capazes de eficazmente inverter a tendência recessiva em que as economias cairam. Não é por acaso que apenas em Portugal (à excepção da Bélgica que por razões constitucionais nunca teve governos de maioria) o actual governo é minoritário. Sendo assim, porque razão é que os portugueses não substituem o seu governo minoritário por outro que tenha condições de promover as tais reformas estruturais indispensáveis para fazer o país sair da crise em que se encontra?
     A explicação é simples. Agarrado a uma Constituição caduca e tendenciosa que permite o exercício do poder por governos minoritários não facilitando a tomada de medidas estruturais profundas em momentos de crise profunda, o actual executivo minoritário tem pautado a sua acção por uma governação à vista (ou seja superficial) negociando apoios em zigue-zague à esquerda e à direita apenas com o intuito de se conservar no poder, sem se preocupar na tomada de medidas de fundo que pudessem inverter a tendência depressiva que o país crescentemente acusa.  Os portugueses em geral, já habituados a governos inconsequentes, cada vez se mostram mais desiludidos e desinteressados com a política, identificando os políticos em geral com a corrupção (que entretanto se generaliza nos vários patamares decisórios publicos e privados) e criando no imaginário popular um ambiente de perigosa descrença no país e naqueles que nos governam.
     A generalização da mentira nas declarações publicas dos responsáveis da política (tomando como tontos aqueles a quem se dirigem) não tem ajudado os portugueses a levantar o seu astral, bem pelo contrário.  Alardeando vitórias contra o afundamento progressivo do país de cada vez que circunstancialmente um ou outro indicador aponta para uma ligeira correcção no caminho de Portugal para o abismo, o actual primeiro-ministro prossegue teimosamente no seu lugar convencido que, aguentando o barco a flutuar, basta deixar passar a borrasca para que, chegada a bonança, Portugal retome um crescimento que, sem medidas de fundo, nunca mais virá.
     Sem uma alteração substancial na estrutura politica e social do país, só possivel com outra Constituição onde assente uma estratégia de desenvolvimento sustentada e com outros protagonistas mais sérios e competentes, não será possivel a Portugal recuperar desta violenta crise que destapou os vícios e os enganos em que vivemos há mais de 30 anos e que nos lançou num precipicio onde ainda não se vislumbra o fim.
 
                                         ALBINO ZEFERINO        17/2/2011     

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