sexta-feira, 26 de abril de 2013

O DISCURSO DE CAVACO

         
          Tem sido hábito analisar à exaustão os discursos do Presidente sempre que ele se dirige oficialmente ao país.  Ontem não foi excepção.  Aplaudido pela direita e vilipendiado pela esquerda, o discurso de Cavaco limitou-se, como sempre, a dar uma no cravo e outra na ferradura, como qualquer diligente ferrador o faria.  Cavaco já nos habituou às meias-tintas.  Nunca diz exactamente o que pensa, parecendo guardar para nova oportunidade o desvendar de um segredo que naquela altura não lhe parece oportuno revelar.  Só que não há segredos escondidos nem soluções milagrosos aguardando oportunidade para aparecerem.  A situação é dramática e só a paciencia dos nossos credores ainda não permitiu que tivessemos já ido todos pelo cano abaixo.
          Pena é que todos, à excepção dos próprios visados, já tenham compreendido que não estamos em tempos de fazer politica partidária.  O PS, entalado entre a obrigação moral de não renegar a assinatura que pôs por debaixo do memorando da troika e o seu desaparecimento como partido alternativo de governo se der apoio à politica de austeridade do governo, insiste em negar a evidência que resulta da situação de impasse que tal atitude encerra.  Os nossos benfeitores não conseguem compreender a razão pela qual os dois únicos partidos portugueses que estão representados nos dois grandes blocos que se sentam no Parlamento europeu não se conseguem entender no apoio à única forma de evitar que o país desabe definitivamente na escuridão dos tempos.  Pois se gregos, italianos,cipriotas e irlandeses já compreenderam, porque não terão os empedrenidos portugueses ainda percebido ?  Serão mais lentos de entendimento ou será que não estão conscientes da situação critica em que se encontram?
          Agora que se aproximam as eleições alemãs e que as sondagens não apontam para a formação duma maioria estável de um só partido no Bundestag, ninguem lhe passa pela cabeça que nesta altura do campeonato europeu os dois grandes partidos alemães equivalentes ao PS e ao PSD portugueses não se coliguem para poder melhor enfrentar os desafios da salvação de uma Europa unida.  Vá lá alguem explicar aos nossos amigos alemães a razão da teimosia dos socialistas portugueses.
          Sem ter sido tão explicito, Cavaco deixou esta mensagem no ar no seu discurso de ontem.  O problema é que os socialistas (mais preocupados nas suas lutas intestinas do que na salvação do país que anseiam voltar a governar) o que querem é eleições, para enterrar definitivamente o país no lodaçal que fizeram durante os ultimos 15 anos em que conduziram os destinos deste pobre país à deriva.

                                          ALBINO ZEFERINO                             26/4/2013

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